terça-feira, 6 de outubro de 2009

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja - o que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou recentemente o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.
A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de
acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.
Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a
grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS), entre outras.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A empresa também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.
Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São
Paulo, 1,6 mil famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias vivendo embaixo de lonas pretas.
Direção Estadual do MST-SP

domingo, 26 de julho de 2009

Não Precisamos Mais de Martíres


Um texto de Andrew X, presente no livro Urgência das Ruas/Baderna

A chave para entender o papel do militante e o ativista é o sacrifício próprio – o sacrifício de si mesmo para ‘a causa’ a qual é vista como algo separado de si próprio. Isto é claro não tem nada a ver com a verdadeira atividade revolucionária que é encontrar a si próprio. O martírio revolucionário caminha junto com a identificação de alguma causa separada de sua própria vida – uma ação contra o capitalismo que identifica o capitalismo como ‘lá fora’ na City é fundamentalmente um engano – o poder real do capital está aqui mesmo na nossa vida cotidiana – nós recriamos o seu poder todos os dias porque o capital não é uma coisa, mas uma relação social entre pessoas (e também entre classes) mediada por coisas. É claro que eu não estou sugerindo que todas as pessoas envolvidas no 18 de Junho compartilham a adoção deste papel, e o sacrifício próprio que caminha com ele, em uma igual proporção. Como eu disse antes, o problema do ativismo ficou particularmente aparente no 18 de Junho precisamente porque o 18 de Junho foi uma tentativa de quebrar esses papéis e nossos modos normais de operar. Muito do que está escrito aqui é um ‘cenário do pior caso’ que pode levar o desempenho do papel de ativista. A proporção do quanto podemos reconhecer nosso movimento dentro deste quadro nos dará uma indicação de quanto trabalho ainda está por ser feito.

O ativista torna a política cega e estéril e leva as pessoas a se afastarem dela, mas desempenhando esse papel também ele próprio acaba se destruindo. O papel do ativista cria uma separação entre fins e meios: sacrifício próprio significa criar uma divisão entre a revolução como amor e alegria no futuro mas o dever e a rotina agora. A visão de mundo do ativista é dominado pela culpa e obrigação porque o ativista não está lutando por ele mesmo mas por uma causa separada: “Todas as causas são igualmente inumanas”7.

Como um ativista você tem que negar seus próprios desejos porque sua atividade política é definida de tal modo que estas coisas não contam como ‘políticas’. Coloca-se ‘política’ em uma caixa separada do resto da vida – é como um emprego... se faz ‘política’ das 9 às 5 e então se vai para casa e se faz alguma outra coisa. Porque ela se encontra em uma caixa separada, a ‘política’ existe desobstruída de quaisquer considerações práticas de efetividade do mundo real. O ativista se sente obrigado a manter em funcionamento a mesma velha rotina sem pensar, incapaz de parar ou reconsiderar, o ponto principal é que o ativista é mantido ocupado e alivia sua culpa batendo sua cabeça em um muro se necessário.

Parte de ser revolucionário pode consistir em saber a hora de parar e esperar. Pode ser importante saber como e quando atacar para uma máxima eficácia e também como e quando NÃO atacar. Ativistas têm a atitude ‘Nós precisamos fazer algo AGORA!’ que parece ser movida por culpa. Isto é completamente anti-tático.

O sacrifício próprio do militante ou do ativista é refletido no seu poder sobre os outros como um expert – da forma como numa religião existe um tipo de hierarquia do sofrimento e da honradez. O ativista assume poder sobre outros pela virtude de seu alto grau de sofrimento (grupos ‘não-hierárquicos’ de ativistas de fato formam a ‘ditadura do mais empenhado’). O ativista utiliza a coerção moral e a culpa para ganhar poder sobre outros menos experientes na teogonia do sofrimento. Sua subordinação de si mesmo anda de mãos dadas com a sua subordinação de outros – todos escravizados pela ‘causa’. Políticos que se auto-sacrificam impedem o crescimento de suas próprias vidas e de seu próprio desejo de viver – isto gera uma amargura e antipatia para a vida que é então virada para o exterior para secar tudo o mais. Eles são “grandes desprezadores da vida... os partidários do auto-sacrifício absoluto... suas vidas distorcidas pelo seu monstruoso ascetismo”8. Podemos observar isto no nosso próprio movimento, por exemplo no local, no antagonismo entre o desejo de sentar ao redor e ter um bom momento versus a culpa de pecador que constrói/fortalece as barricada do trabalho ético e no excessivo vigor que são denunciadas às vezes ‘escapadas para lanches’. O mártir que se auto-sacrifica é ofendido e ultrajado quando percebe que outros não estão se auto-sacrificando. Da mesma forma que o ‘trabalhador honesto’ ataca o batedor de carteira ou distribui socos com tal causticidade, sabemos que é porque ele odeia o seu trabalho e o martírio que ele fez de sua vida e portanto odeia ver qualquer um que escapa à esta luta, odeia ver alguém se divertindo enquanto ele está sofrendo – ele deve trazer todos para a merda em que ele vive – uma igualdade de auto-sacrifício.

Na antiga cosmologia da religião, o mártir de sucesso ia para o céu. Na visão de mundo moderna, mártires bem sucedidos podem procurar entrar para a história. Quanto maior o auto-sacrifício, quanto maior o sucesso em criar um papel (ou ainda melhor, em deixar um completamente novo para as pessoas igualarem – isto é, o eco-guerreiro), se ganha uma recompensa na história – o céu burguês.

A velha esquerda era muito clara na sua chamada pelo sacrifício heróico: “Se auto-sacrifiquem com prazer, irmãos e irmãs! Pela causa, pela Ordem Estabelecida, pelo Partido, pelo Unidade, pela Carne e Batatas!”9. Mas nos dias de hoje é muito mais velado: Vaneigem acusa “jovens radicais de esquerda” de “entrar[em] para o serviço da Causa – a ‘melhor’ de todas as Causas. O tempo que eles têm para a atividade criativa eles destróem entregando panfletos, colando cartazes, participando em manifestações públicas ou falando mal de políticos. Eles se tornam militantes, fetichizando a ação porque outros pensam por eles”10.

Isto ecoa conosco – especialmente sobre a fetichização da ação – em grupos de esquerda os militantes são deixados livres para se engajar em intermináveis trabalhos porque o líder do grupo ou guru possui a ‘teoria’ certa, que é simplesmente aceita e tratada como a ‘linha do partido’. Com ativistas de ação direta é irrelevantemente diferente – a ação é fetichizada, porém mais distante de uma aversão à qualquer teoria.

Embora esteja presente, o elemento do papel de ativista que recai no auto-sacrifício e na obrigação não foi tão significante no 18 de Junho. O que é mais do que um assunto a ser tratado por nós é o sentimento de separação das ‘pessoas comuns’ que implica o ativismo. As pessoas identificam alguma estranha subcultura ou panelinha sendo ‘nós’, como oposto a ‘eles’ que é todo o resto do mundo.

ISOLAMENTO

A função de ativista é um isolamento auto-imposto de todas as pessoas que deveríamos estar ligados. Incorporando o papel de um ativista se é separado do resto da raça humana como alguém especial e diferente. As pessoas tendem a pensar nelas mesmas na primeira pessoa do plural (a quem você está se referindo quando você diz ‘nós’? ) como se estivessem se referindo a alguma comunidade de ativistas, ao invés de uma classe. Por exemplo, durante algum tempo hoje em dia no meio ativista tem sido popular se expressar por ‘não mais temas isolados’ e pela importância de ‘fazer contatos’. Porém, muitas concepções para essas pessoas do que isso significava se limitava a ‘fazer contatos’ com outros ativistas e outros grupos de campanhas. O 18 de Junho demonstrou isto muito bem, toda a idéia era ter todas as representações de todas as variadas e diferentes causas e temas em um lugar no mesmo momento, voluntariamente relegando nós mesmos ao gueto das boas causas.

Semelhantemente, os vários fóruns de redes que recentemente surgiram em todo o país – Rebel Alliance em Brighton, NASA em Nottingham, Rioutous Assembly em Manchester, London Underground, etc. possuem um objetivo similar – conseguir que todos os grupos de ativistas na área entrem em contato uns com os outros. Não estou rejeitando isto – é um pré-requisito essencial para qualquer ação futura, mas deveria ser reconhecida a forma extremamente limitada de ‘fazer contatos’ que isto representa. É também interessante que o que os grupos que participam desses encontros possuem em comum consiste em eles serem grupos ativistas – no que eles atualmente estão preocupados parece ser de ordem secundária.

Não é suficiente somente procurar manter contatos com todos os ativistas no mundo, nem é suficiente procurar transformar mais pessoas em ativistas. Contrariamente ao que algumas pessoas possam achar, não estaremos mais próximos de uma revolução se muitas e muitas pessoas se tornarem ativistas. Algumas pessoas parecem ter a estranha idéia de que o que é preciso é que todos sejam de alguma forma persuadidos a se tornarem ativistas como nós, e consequentemente teremos a revolução. Vaneigem diz: “A Revolução é feita todo dia, apesar e em oposição, aos especialistas da revolução”11.

O militante ou ativista é um especialista em transformação social ou revolução. O especialista recruta outros para a sua pequena área de especialidade de maneira a aumentar seu próprio poder, deste modo dissipando a percepção de sua própria impotência. “O especialista... matricula a si próprio de maneira a matricular outros”12. Como num jogo de pirâmide, a hierarquia é auto-replicante – se é recrutado de maneira a ficar na base da pirâmide, se tem que recrutar mais pessoas para estarem abaixo de você, que farão então exatamente o mesmo. A reprodução da sociedade alienada de papéis e funções é efetuada através de especialistas.

Jacques Camatte em seu ensaio ‘ On Organization’ (1969)13 aponta muito bem que grupos políticos muitas vezes acabam se tornando ‘gangues’ definindo-se por exclusão – a primeira lealdade dos membros do grupo se torna ao grupo ao invés de ser para a luta. Sua crítica se aplica especialmente para a miríade dos setores de esquerda e grupúsculos aos quais ela foi direcionada, mas se aplica em menor proporção para a mentalidade ativista.

O grupo político ou partido se auto-substitui ao proletariado e sua própria sobrevivência e reprodução se torna o soberano supremo – a atividade revolucionária se torna sinônimo de ‘construir o partido’ e recrutar membros. O grupo considera a si próprio como sendo o único possuidor da verdade e todos fora do grupo são tratados como um idiota que precisa ser educado por esta vanguarda. Ao invés de um debate igual entre camaradas nós temos no lugar a separação da teoria e propaganda, onde o grupo possui sua própria teoria, a qual é quase sempre mantida em segredo na crença de que os jogadores menos mentalmente capazes devem ser ludibriados pela organização através de alguma estratégia de populismo antes que a política seja lançada a eles de surpresa. Este método desonesto de lidar com aqueles fora do grupo é semelhante a um culto religioso – eles nunca lhe dirão de frente seus objetivos e pensamentos.

Podemos ver algumas semelhanças com o ativismo, na maneira como o meio ativista age como a esquerda. O ativismo como um todo possui algumas características de uma ‘gangue’. Gangues de ativistas frequentemente acabam se tornando alianças entre classes, incluindo todo tipo de reformistas liberais por eles também serem ‘ativistas’. As pessoas se vêem primeiramente como ativistas e sua primeira lealdade se volta para a comunidade de ativistas e não para a luta em si. A “gangue” é uma comunidade ilusória, que nos distrai de formarmos uma comunidade maior de resistência. A essência da crítica de Camatte é um ataque à criação de uma divisão interior/exterior entre um grupo ou classe. Nós nos vemos como ativistas e portanto como estando separados e tendo diferentes interesses da massa da classe trabalhadora.

Nossa atividade deve ser a expressão imediata de uma luta real, não da afirmação da separação e distinção de um grupo particular. Em grupos marxistas a posse da ‘teoria’ é o elemento que determina o poder – é diferente no meio ativista, mas não tão diferente – a posse do ‘capital social’ relevante – conhecimento, experiência, contatos, equipamento, etc., é o elemento primário determinando o poder.

O ativismo reproduz a estrutura desta sociedade e como ela opera: “Quando o rebelde começa a acreditar que ele está lutando por um bem maior, o princípio autoritário dá um corte”14. Este não é um problema trivial, mas é a base das relações sociais capitalistas. O capital é uma relação social entre pessoas mediadas por coisas – o princípio básico da alienação é de que vivemos nossas vidas ao serviço de alguma coisa que nós mesmos criamos. Se nós reproduzimos esta estrutura em nome da política que se declara anti-capitalista, já perdemos antes mesmo de termos começado. Não se pode lutar contra a alienação por meios alienados.

lei-a o texto na íntegra aqui: Abandone o Ativismo

sábado, 13 de dezembro de 2008

InsurreiçãoGrega








domingo, 9 de novembro de 2008

POP ART RESISTANCE

acesse Pop Art Resistance

sábado, 18 de outubro de 2008















sábado, 13 de setembro de 2008

A Desobediencia Civil Eletrônica



Entrevista com Ricardo Dominguez, um dos
fundadores do Movimento Zapatista no ciberespaço

Juliano Spyer

Quando encontrei Ricardo Dominguez, numa tarde ensolarada de sábado em Nova York, estava determinado a fazer uma entrevista curta, de no máximo 15 minutos, para escrever uma crônica de duas páginas sobre personagens novayorkinos.

Ricardo parece um personagem de revista em quadrinhos. Veste roupas escuras - mesmo em tardes de sábado ensolaradas -, usa um óculos meio quadrado e de aro grosso que tem um ar antipático de algumas professoras primárias que eu tive. É 'xicano', filho de mexicanos nascido nos EUA, mas não tem características particularmente indígenas. O cabelo dele, escuríssimo, é engomado no estilo anos 50 e sua franja é moldada num discreto espiral do lado direito da testa. É difícil, pela aparência, acreditar que ele seja um dos militantes mais ativos do movimento internacional de apoio aos zapatistas de Chiapas, no México. Apesar dessa look estranho, Ricardo é muito cordial e bem humorado. Tem uma voz funda que - denunciando sua formação de ator - ele explora dramaticamente enquanto conversa. Antes de começar a gravar, expliquei a ele que eu - e provavelmente a maioria dos possíveis leitores da entrevista - sabíamos o que adultos de classe média com formação universitária no final do século 20 sabem sobre internet e computadores. Ele entendeu a proposta e narrou sua história desde o princípio, de uma forma quase elementar, permitindo pacientemente que eu o interrompesse quando tivesse dúvidas. Isso possibilitou que assuntos tão diferentes como Movimento Zapatista, Pós-modernidade, desobediência civil e ciberespaço se entrelaçassem e juntos se explicassem. No começo, eu queria contar uma história curiosa. Mas duas horas depois, quando a entrevista terminou, percebi que o conteúdo gravado pode ajudar pessoas que, como eu, ainda não encontraram um conceito e uma prática para exteriorizar o desgosto pela miséria e a violência do mundo hoje. Dedico essa entrevista à minha amiga Andrea Paula dos Santos, militante do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, que por alguns motivos óbvios e outros não tão óbvios, esteve na minha cabeça durante todo o processo de gravação e edição deste texto.


(JS) -------- JS - Como você passou de ator a militante zapatista e agora a ídolo hacker? RD - Essa é uma longa história, de mais de 15 anos, de quando eu comecei a pensar numa teoria e numa prática para a 'Desobediência civil eletrônica'. Enquanto idéia, a 'Desobediência civil' surgiu aqui nos Estados Unidos no século passado, com Henry David Thoreau, que escreveu o ensaio 'Sobre a desobediência civil'. Ativistas como Martin Luther King e Gandhi foram dois grandes popularizadores dessa proposta.

JS - E o que Thoreau propõe no ensaio? RD - Propõe uma atitude crítica contundente mas ao mesmo tempo pacífica, muito aplicada inclusive pelos movimentos estudantis de 1968. Em síntese, a desobediência civil significa que você se dispõe, de uma forma não-violenta, a perturbar a ordem. Por exemplo, durante o Movimento pelos Direitos Civis dos negros americanos nos anos 50 e 60, desobediência civil era entrar num restaurante e se sentar. Isso era tudo que um negro precisava fazer para tocar nos nervos da sociedade...

JS - E como surgiu a vontade de transpor essa idéia para o mundo virtual? Em 87, eu e quatro outras pessoas formamos um grupo chamado Critical Art Ensemble (CAE). Éramos artistas e profissionais que tínhamos em comum um profundo desgosto por nossas profissões. Por causa desse ódio a quem nós éramos e o que estávamos fazendo, começamos a debater formas de alterar esse quadro através de desobediência civil eletrônica. Isso não seria possível se estivéssemos satisfeitos. Dentro da nossa sociedade, somos treinados a agir e pensar de uma certa forma e isso nos impede de inventar coisas novas. Porque estávamos angustiados, estávamos também dispostos a fazer concessões que a sociedade discrimina. Aquele era o momento para artistas abrirem mão desses hábitos, especialmente nos anos 80 quando emergiu o pensamento crítico pós-moderno... Nessa época, começávamos também a contemplar a idéia de um ciberespaço, de um universo desmaterializado que dava possibilidades infinitas de comunicação. O acesso a computadores ainda era limitadíssimo, mas o gênero ciber-punk já falava sobre essa nova realidade virtual. Autores como William Gibson, Bruce Sterling, e vários britânicos escreviam sobre isso e nós liamos tudo deles. Gibson, aliás, foi o cara que no romance "Neuromancer" criou o termo 'ciberespaço' que, para ele, era uma "mass of alucination agreed upon" ou uma alucinação coletiva e consensual...

JS - Qual era o projeto do CAE? RD - Para nós, o ciberespaço era uma utopia a ser conquistada. Sentíamos que a cultura do Ocidente estava em ruínas e talvez, se ocupássemos antes esse novo espaço, poderíamos ajudar a construir uma nova comunidade, não apenas local mas global. A sociedade hoje acredita e defende que produtos têm mais direitos que seres humanos. Isso está errado, e começamos a estudar como aplicar a desobediência civil dentro deste mundo para interferir no quadro do mundo real. No século 19 e em boa parte do século 20, o poder existia nas ruas, tudo se resumia a fazer ruas maiores para transportar mais produtos. O movimento de desobediência civil, nessa época, pregava exatamente o bloqueamento dessas ruas. Gandhi levava milhares de indianos para o centro das cidades para que todos se sentassem e com isso, interrompessem essa ordem. Queríamos fazer a mesma coisa mas no ciberespaço.

JS - E o que no ciberespaço atraía tanto a atenção de vocês? RD - Justamente a absoluta liberdade de expressão desse novo ambiente. E também a possibilidade de criar um foro público de debates que pudesse fazer frente aos veículos de informação tradicionais, que filtram as idéias de acordo com interesses próprios. Esse elemento é central para nós porque até então, para fazer frente ao New York Times, uma pessoa precisava ter muito dinheiro ou poder político para montar uma estrutura semelhante à desse jornal, com centenas de repórteres ao redor do mundo. Sempre houve pessoas descontentes mas com a internet, essas pessoas puderam encontrar muitas outras que têm as mesmas idéias e por isso conseguem falar simbolicamente com um volume bem mais alto e sem filtros.

JS - Como o Movimento Zapatista entrou nessa história? RD - CDA tinha discutido muito sobre o conceito de desobediência civil eletrônica mas ainda faltava colocar tudo aquilo em prática. Foi quando, em 94, surgiu o Movimento Zapatista em Chiapas. Aparentemente era um grupo guerrilheiro tradicional, com formação maoísta-leninista muito parecida com a do Sendero Luminoso peruano e que saiu das florestas com fuzis nas mãos para impor suas idéias pela força ou morrer. O grupo, formado por 28 comunidades de origem maia, declarou autônoma a região de Chiapas e queria negociar direitos aos povos indígenas do país. Não existia muitas diferença entre os zapatistas e outros grupos guerrilheiros do passado recente ou presente e, provavelmente, o governo mexicano os teria massacrado cedo ou tarde se, em 12 dias de luta, eles não tivessem mudado da água ao vinho. Esse foi o tempo que os zapatistas precisaram para descobrir os mecanismos da 'fábrica virtual' e reorganizar toda sua estratégia de luta. Assim que eles descobriram a internet, o jogo ser inverteu e eles ganharam um novo poder para combater o exército mexicano. E isso quem afirma não sou eu mas a Rand Corporation, um dos principais centros de pesquisa militar dos EUA. Os zapatistas, em menos de duas semanas, se tornaram os maiores e mais fortes guerreiros da informação que já existiu na terra.

JS - E porque eles e não qualquer outro grupo armado? RS - Por dois motivos, principalmente. Porque em 94 já existia concretamente o ciberespaço. Dentro das universidades e dos institutos, estudantes e professores já tinham e-mail para trocar idéias, inclusive usando as chamadas listas de discussão. Você assinava a lista sobre o assunto e passava a receber e a mandar mensagens para todos os outros assinantes ao mesmo tempo. Mas havia também um componente cultural dos zapatistas. Eles tinham sonhado com isso antes. Eram capazes de conceber uma rede intergalática, intercontinental, de luta e resistência, ou como eles dizem, "as nossas forças eletrônicas"... Ou seja, em apenas 12 dias eles perceberam que não precisavam mais lutar a velha guerra moderna, de morrer e matar. Eles perceberam que existia uma outra maneira mais eficiente que é a guerra de informação, que quer dizer simplesmente uma guerra de palavras...

JS - Como essas comunidades, sem ter nem luz elétrica, conseguiram chegar até os computadores e de lá para as redes? RD - Chegavam e chegam ainda, primeiro a pé pela floresta, até encontrar alguém que tenha um cavalo, de lá até a estrada, depois de carro até a cidade. E mesmo sem luz elétrica, se tornaram a mais poderosa comunidade da guerra de informação do planeta. Em 99, a Wired, a principal revista do mundo digital nos EUA, publicou uma lista com o nome das 25 pessoas ou organizações mais influentes on-line. A primeira era Bill Gates e a segunda, um bando de índios maia do sul do México. Comparando as posses de um e de outro, fica claro como os zapatistas entenderam bem o funcionamento do ciberespaço... Hoje, fala-se muito de 'adaptabilidade', que as companhias devem se adaptar rápido ao novo mercado. Essa, para quem não sabe, é uma contribuição dos zapatistas à economia digital...

JS - Qual era o conteúdo dessas mensagens que eles começaram a passar? RD - Bom, são cartas de todo tipo, milhares e milhares que eles mandam todos os dias. E não são notinhas mas cartas longas, que formam livros. Muitas são histórias para crianças. Os assuntos mais recorrentes são o mar, a lua, a tecnologia maia, o efeito dos sonhos. Tem tanto livro que eles brincam dizendo que se os empilhassem, daria para chegar à lua...

JS - É a primeira vez que eu estou ouvindo que os zapatistas escrevem livros e ainda mais nesse ritmo alucinante. Por que isso não chega aos jornais? RD - Porque as mensagens não são mandadas para os jornais. Elas circulam entre comunidades autônomas ao redor do mundo, na Itália, na Coréia do Sul, na Austrália, na Áustria. São os zapatistas virtuais que recebem essa literatura e passam a diante. Não precisamos do New York Times para traduzir e publicar nossos textos. Tudo existe dentro da rede. Eles, os zapatistas de Chiapas, são revolucionários pós-modernos, os primeiros revolucionários virtuais. Sem ter conectividade, nem laptops, nem celulares, eles me ensinaram em 1994 o que era desobediência civil eletrônica. Eles foram capazes de criar e abastecer uma rede de informação que contava com infinitas mensagens de e-mail e centenas de sites.

JS - E quanto tempo levou entre o surgimento dos zapatistas e a criação do Eletronic Disturbance Theater (EDT)? RD - Eu entendi a mensagem deles quase instantaneamente. Já fazia parte do Critical Art Ensemble e assim que soube dos zapatistas, comecei a participar de protestos nas ruas de Nova York em favor dessa causa, fazer greve de fome na frente da Embaixada do México. Um desses atos foi uma performance virtual chamada de 'Rabinal Achi/Zapatista_Port_Action at MIT'. Durante 4 meses, em 96, eu fiz 3 horas semanais de entrevistas com zapatistas ao redor do mundo. O sinal de voz era retransmitido ao vivo para o site do MIT, o Massachusetts Institute of Technology, que disponibilizava o material ao público. Também em 96, um analista financeiro do Chase Manhattan soltou um memorando interno dizendo que apesar dos zapatistas não oferecerem nenhum perigo à economia mexicana ou a Wall Street, o movimento estava provocando uma depressão no mercado e por isso ele recomendava a sua erradicação imediata. É isso mesmo, o Chase estava ordenando: Ataque! Esse documento vazou e um dia depois deu o ter recebido, o presidente Zedillo do México autorizou o primeiro ataque massivo aos rebelados de Chiapas. Mas nós, os zapatistas virtuais, respondemos imediatamente mandando o memorando para o New York Times, para toda a imprensa. Fizemos atos públicos e distribuímos muitas cópias do documento borrado de tinta vermelha. Resultado: em três dias o exército mexicano suspendeu a ofensiva e recuou. Por causa dessas e de outras atividades, muitas pessoas entraram para as nossas listas de discussão. Foi dessa rede que nasceu o EDT.

JS - Por que o nome 'teatro'? Porque é no teatro que você cria um drama; a causa dos zapatistas é um drama social. Eu acredito no teatro que é invisível e que propõe uma situação, leva a questão para a comunidade, e deixa as pessoas da comunidade se tornam os personagens. Tudo que você faz é oferecer para eles o palco e a internet é justamente um palco para o diálogo público. Os nossos atos não são para agradar. Estamos descontentes e demonstramos isso. De repente, outros ativistas nos atacam dizendo que isso que fizemos é péssimo. Os hackers dizem o mesmo. O New York Times diz o mesmo. O Pentágono diz o mesmo. Mas porque é péssimo, surge o diálogo entre as pessoas, a troca de informações para saber se o que a gente faz é legal ou ilegal. O resultado, apesar de muitas vezes doloroso, é sempre positivo.

JS - Vocês já se conheciam antes? RD - Nós não nos conhecíamos e até hoje, quase cinco anos depois da criação do EDT, eu ainda não conheço pessoalmente um dos membros, o Brettt Stalbaum, que mora em San Jose, na Califórnia. Conheci o Stefan Wray de cara porque ele estava fazendo o curso de doutoramento na Universidade de Nova York sobre a desobediência civil eletrônica. Mas a criação do grupo veio mais tarde, em decorrência de um ataque pára-militar a uma aldeia maia em Chiapas. Esses assassinos, treinados e armados pelo governo mexicano, mataram a sangue frio 45 mulheres e crianças em 22 de dezembro de 97. Os policiais que estavam a um quarteirão do local declararam que não ouviram nada, nenhum tiro de fuzil, nenhum grito de gente sendo esquartejada. Logo depois do Massacre de Acteal - Acteal era o nome da vila - recebi um e-mail de uma net-artista de Boston chamada Carmin Karasic. Carmin trabalhava no MIT e tinha lido meus artigos e acompanhado a performance que eu fiz no site do MIT. Ela queria os nomes dos indígenas assassinados para fazer um monumento virtual de protesto. Estávamos todos revoltados e todos da lista trocávamos muitas mensagens discutindo formas de responder àquele ato imbecil. Recebi também uma mensagem do Anonymous Digital Coalition, que é um grupo italiano, propondo que todos nós fôssemos ao site do presidente mexicano, que era o sr. Ernesto Zedillo, num mesmo período, e ficássemos refrescando nossos browsers para sobrecarregar o sistema e tirá-lo do ar. Nisso, o Brett , que trabalha para o Cadre Laboratory of New Media (http://switch.sjsu.edu), escreveu dizendo que ele criaria um aplicativo para fazer os nossos navegadores ficarem recarregando sem parar a página do sr. Zedillo. Juntamos essas idéias e colocamos em prática o protesto em 10 de agosto de 98...

JS - Acho que não entendi. Como é que funcionava esse protesto? RD - É simples. A Carmin construiu o monumento às vítimas do Massacre de Acteal, contando quem eram as pessoas que tinham morrido e porque elas foram mortas . No servidor em que o site-monumento estava hospedado, colocamos o aplicativo do Brett. Esse aplicativo contava o número de pessoas que visitavam o site. Para cada pessoa que visitasse o monumento, o aplicativo mandava um sinal eletrônico ao site da presidência mexicana. É como se essas pessoas estivessem acessando o site do presidente. O sinal bate na porta do endereço virtual do sr. Zedillo e pede um documento. Um segundo depois, bate de novo e pede o mesmo documento. Imagina o que acontece quando 28 mil pessoas fazem isso ao mesmo tempo durante 4 horas. O sistema cai, e foi o que ocorreu. Veja bem que este é o exemplo típico de desobediência civil eletrônica. O ato foi pacífico, não destruiu banco de dados, e as pessoas que organizaram o movimento não eram anônimos. Apenas, como fez Gandhi, nos sentados na porta do site... Mais uma vez os zapatistas mostraram o poder de sua rede, que é um poder totalmente descentralizado. Não tem ninguém dando ordens. O comandante Ramona não fala para a gente: façam isso, não façam aquilo. Por isso é pós-moderno, porque não tem centro nem periferia. É o campo perfeito para a guerra de informação.

JS - E o que aconteceu depois desse protesto? RD - Durante 4 horas, quem tentasse acessar o site do sr. Zedillo recebia a seguinte mensagem: "Nesse momento não podemos abrir esta página. Por favor, volte mais tarde". Isso naturalmente chamou a atenção da imprensa e no dia seguinte estávamos de novo no New York Times. Nessa altura o grupo do Eletronical Disturbance Theater estava formado. Éramos Carmin, Brettt, Stefan Wray e eu. Agora que tínhamos descoberto o meio de pôr em prática a desobediência civil pela internet, planejamos mais performances ao longo do ano. Os nossos objetivos eram criar os protocolos para a desobediência civil eletrônica na prática e não mais na teoria, informar à sociedade sobre esse assunto, ajudar outros grupos a realizar protestos virtuais, e desenvolver o diálogo entre hackers, 'hacktivistas' e net-artistas.

JS - Além do compromisso de promover apenas atos pacifistas, quais são os outros elementos da ética do EDT? RD - Começa com a questão da transparência. Sempre informamos quem somos, onde estamos, onde e porque vamos agir, quanto tempo vamos ficar lá. O Sr. Pentágono, se precisar, tem os nossos números de telefone e e-mail ao alcance da mão.

JS - E qual a resposta do público aos atos do EDT? RD - A pior possível, graças a Deus! Ainda em 98 fizemos mais dois protestos virtuais, trabalhamos duríssimo para organizar os eventos, e fomos também muito atacados, por todos os lados, pelo que eu chamo de comunidade 'digitalmente' correta. Isso porque a coisa mais importante da internet é a velocidade de acesso e o nosso trabalho consiste exatamente no oposto, ou seja, em travar a rede. Para os digitalmente corretos, a velocidade de conexão é tudo. E a nossa mensagem é: atenção, todo mundo para o meio da rua! Muitos pensaram que a gente estava fazendo alguma coisa ilegal. Mas de novo, nós fazíamos performances pacíficas e sempre de forma transparente. Mas mesmo os hackers, no princípio, ficaram contra nós porque para eles, vale tudo, menos congestionar a rede.

JS - Vocês fizeram mais dois atos em 98. Como foram esses atos? Foram semelhantes ao primeiro. Cada um deles homenageou um momento importante da trajetória do Movimento Zapatista. A última performance aconteceu na cidade de Linz, na Áustria, no Ars Electronica Festival (http://web.aec.at/infowar/index.html) que foi criado em 1975 e é o mais antigo do gênero. O tema de 98 era justamente guerra de informação e o EDT foi convidado. Decidimos fazer um protesto paralisando três sites, o do Sr. Zedillo, que era de praxe, o do Pentágono, pelo envio 25 helicópteros Hueys para o governo do México supostamente combater o narcotráfico e que foram direto para Chiapas, e da Bolsa de Frankfurt, porque lá eram negociadas ações de empresas que estavam interessadas em comprar minas de urânio em Chiapas. (Aliás, é essa a função do NAFTA, permitir que essas empresas entrem em território indígena.) No dia da performance, estávamos todos no hotel e às 7:30 da manhã eu recebi um telefonema no meu quarto. A pessoa perguntou se eu era Ricardo Dominguez, eu disse que sim, então ele falou em espanhol claro: "Mira, Ricardo, sabemos quien eres, sabemos que vas hacer. No lo hagas, porque esto no es un juego".

JS - Foi um bom-dia, digamos, encorajador... RD - E era só o começo. Logo que eu desci do quarto para o saguão do hotel, um grupo de hackers que estava no festival me cercou e me deram o mesmo recado do governo mexicano: desista do ato ou nós vamos te tirar do ar. Eles também eram contra prejudicar a velocidade de conexão... Além disso, porque anunciamos que tiraríamos do ar ao mesmo tempo o site do Pentágono, da Bolsa de Frankfurt e do presidente do México, o hotel estava lotado de jornalistas que queriam cobrir a performance. Nesse clima de tensão e expectativa, começamos o ato. Duas horas depois, percebemos que algo estava errado. Os computadores das pessoas que estavam participando do ato começaram a travar e, como eu disse, o nosso aplicativo nunca travou o sistema de ninguém. Para nós, os hackers estavam nos atacando. Mas como explicar isso para milhares de pessoas e mais jornalistas. Até os organizadores do festival estavam nas nossas orelhas reclamando e dizendo que sabiam que não ia dar certo, que éramos irresponsáveis. Um desastre! Bom, uma hora e meia depois, o ato já tinha terminado, recebemos um telefonema da revista Wired.com. Eles diziam que tinham confirmado que o ataque à nossa performance tinha saído do Pentágono. Do Pen-tá-go-no! E de fato, quando examinamos o código da página deles, achamos o aplicativo que estava causando a travação em todos os computadores. Esse foi o primeiro caso registrado que Forças Armadas dos EUA usaram armas de guerra de informação contra um servidor civil. O que, por sinal, é contra a lei.

JS - E vocês tomaram alguma providência? Eles passaram vergonha porque no dia seguinte estávamos todos na capa do New York Times. Levamos o caso para o Departamento de Direito Eletrônico de Harvard mas so não foi a diante. JS - Esse foi o último ato do ano? RD - Não, foi a última performance. Terminamos aquele ano celebrando o quinto aniversário do surgimento do Movimento Zapatista lançando, um minutos depois da meia-noite, o kit com o aplicativo e o manual para a execução de distúrbios eletrônicos. Muita gente estava nos procurando, querendo saber como fazer protestos virtuais, e para comemorar a data e o ano novo, mandamos o kit para todos em nossas listas. Vinte minutos depois, o grupo Queer Nation (Nação gay), da Califórnia, congestionou o site www.godhatesfags.com (Deus odeia os viados), do Canadá. Logo depois, o International Animal Liberation, de defesa dos direitos dos animais, fez um ato contra uma empresa de medicamentos da Suécia, que desligou todo seu sistema por medo do que poderia acontecer. Ativistas anti-armas também paralisaram o sistema de comerciantes de armas pela internet. Esse foi o nascimento do 'hacktivismo' ou do ativismo no ciberespaço.

JS - Outra momento importante para os hacktivistas foi a vitória contra a www.Etoys.com, não foi? RD - Sem dúvida! Foi o ponto máximo, eu diria. Ninguém da comunidade digital esperava um ato de selvageria tão explícito como aquele. JS - Você pode contar o que aconteceu? RD - A Etoys.com, gigante da internet e revendedora de brinquedos, atacou através da corte dos Estados Unidos um pequeno site de artistas suíços chamado Etoy.com (sem S). Detalhe: Etoy existia desde 94 e era famoso entre os net-artistas. Em 99, Etoys usou seu dinheiro e o sistema judiciário americano para roubar o domínio 'Etoy' dos artistas suíços. A mensagem dos EUA para a comunidade internacional era que a partir daquele momento, as leis americanas regulamentavam a internet. Acontece que a comunidade da internet não concorda com essa postura, inclusive porque a idéia de internet pressupõe que ela seja um espaço sem fronteiras. O que a Etoys.com não contava é que nós tínhamos uma longa experiência em desobediência civil eletrônica. Fizemos um protesto de 12 dias congestionando o site da Etoys bem no fim de ano, quando as pessoas compram mais brinquedos, e cada dia o preço das ações deles caia mais. Em janeiro, a situação deles estava tão preta, com as ações totalmente desvalorizadas, com a imprensa do nosso lado, que eles capitularam. Levantaram a bandeira branca! Não só devolveram o domínio do nome Etoy para os suíços como pagaram todos os custos do processo e ainda pediram desculpas publicamente. Este é o conceito de desobediência civil eletrônica funcionando! Porque a pequena Etoy não tinha como lutar contra o adversário americano, mas a rede levantou tanto a voz e a causa dos suíços que eles ganharam um poder de fogo fantástico! Somos como um enxame de abelhas atacando um gigante... Inclusive uma das coisas que as empresas de e-commerce se esquecem no delírio de consumo delas, é que existe uma outra rede, uma outra sociedade que não funciona dessa forma, e que essa sociedade é extremamente inteligente, e que agora tem poder por causa da internet.

JS - E qual é o legado que vocês deixam para a rede? RD - Acho que vários. Para começar, uma coisa que está me entusiasmando muito é a politização dos hackers. Há duas semanas, o grupo hacker 2600, que é um dos maiores do mundo, nos convidou para falar em sua convenção anual, que foi aqui em Nova York. Dois dos painéis mais importantes do evento eram: hacktivismo e desobediência civil eletrônica. Esses caras são duros de convencer. Mas demonstraram que estão conscientes e que vêem com muita seriedade o que fazemos. Além disso, existem outros grupos surgindo pelo mundo espelhados na nossa prática, como os ElectroHippies na Grã-Brettanha, o Federation of Random Action na França. Recentemente um novo grupo foi criado na Austrália chamado S-11. Para protestar contra uma reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio), marcada para setembro desse ano num cassino de Melborne, eles 'sequestraram' o domínio da Nike. Com isso, todas as pessoas que iam a www.nike.com num dia determinado, entravam num site sobre a condição dos trabalhadores das fábricas da Nike no Sudeste Asiático... A prática é a mesma do EDT: ninguém saiu ferido e o patrimônio do site não foi violado. É assim que eu analiso esse ato e eu o considero muito inventivo...

JS - O EDT também foi convidado para se ir falar no Pentágono. Como foi a experiência? RD - Ao Pentágono e às Agência Nacional de Segurança (Nacional Security Agency) dos EUA também, não se esqueça... A experiência foi divertidíssima! Fizemos uma performance de uma hora e meia com DJs e apresentando vídeos para contar a história dos zapatistas sobre a tecnologia maia. Falamos quem somos, porque fazemos o que fazemos e, em resumo, o que ouvimos deles, de mais de 400 generais e congressistas americanos, é que temos um "pacto com o demo" e que ainda vamos provocar "a invasão virtual de Pearl Harbor"! Ao que eu respondi da seguinte forma: "Veja, senhores, se isso fosse verdade, eu não estaria aqui falando com vocês e sim na cadeia. Foram os senhores que quebraram as leis e não nós"... Eles tem as paranóias deles. Mas o curioso é que por causa disso eu estabeleci um diálogo com grupos dessas organizações, o que para mim é fantástico! Quem não quer ter contatos no Pentágono?

JS - Além dos zapatistas, quais outros movimentos estão em contato com o EDT para organizar suas guerras de informação? RD - Bom, temos contato com as comunidades do Timor Leste, com o movimento estudantil da Indonésia (que derrubou o presidente Suharto do ano passado), com o movimento pró-democracia na China, com as comunidades tibetanas, com as comunidades indígenas do Peru e Colômbia que vêm sendo atacados por multinacionais do petróleo, com o povo de Okinawa que está mobilizado contra a reunião do G-8, com os aborígenes australianos que lutam contra a construção de usinas atômicas nas terras deles, entre outros.

JS - Você sabe se o movimento dos Sem-Terra no Brasil está usando esses recursos? RD - Eu acho que ainda não. Pelo menos eles nunca entraram em contato comigo, enquanto os grupos que eu mencionei fazem parte da nossa comunidade. A proposta do EDT é oferecer ferramentas e tentar chegar à comunidade que fala português para que os Sem-Terra e outros grupos brasileiros passem a usá-las e assim aumentar ainda mais o volume da voz deles. JS - E onde eles podem conseguir essas ferramentas? RD - Eles podem entrar em contato comigo. Meu e-mail é rdom@thing.net. Estamos tentando colocar essas ferramentas num site mas os governos não concordam porque consideram o nosso kit armas de terrorismo. Estamos trabalhando para, nos próximos meses, colocar tudo na Freenet. É um novo sistema que está sendo desenvolvido que vai ser virtual, ou seja, não vai estar hospedado em nenhum servidor. Uma vez que você carrega um arquivo, não é possível tirar de circulação. Dessa forma as pessoas poderão encontrar essas ferramentas mais facilmente.

JS - O que você no futuro próximo para os hacktivistas? RD - Acho que a idéia está frutificando. Especialmente agora que a comunidade hacker está encarando esse diálogo, que na minha opinião vai florescer, ficar mais forte. A chamada 'democracia html' deve popularizar mais o hacktivismo, tornando o conceito e as ferramentas mais próximas do grande público, de modo que protestos virtuais devem se tornar tão comuns como mandar um e-mail ou visitar um site. Uma pessoa não tem mais que ter conhecimentos especiais ou saber da infraestrutura da rede para participar do diálogo. Esse era o nosso objetivo e eu acho que está caminhando para o rumo certo.

URL da homepage de Ricardo Dominguez: www.thing.net/~dom

URL do Eletronic Disturbance Theater: www.thing.net/~rdom/ecd/ecd.html

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

PROJETO DE LEI APROVADO EM COMISSÃO DO SENADO COLOCA EM RISCO A LIBERDADE NA REDE E CRIA O PROVEDOR DEDO-DURO.


Em uma sessão corrida e esvaziada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou o projeto de lei (PLC) 89/03 que define quais serão as condutas criminosas na Internet.

Os exageros que constam do projeto podem colocar em risco a liberdade de expressão, impedir as redes abertas wireless, além de aumentar os custos da manutenção de redes informacionais. O mais grave é que o projeto apenas amplia as possibilidades de vigilância dos cidadãos comuns pelo Estado, pelos grupos que vendem informações e pelos criminosos, uma vez que dificulta a navegação anônima na rede. Crackers navegam sob a proteção de mecanismos sofisticados que dificultam a sua identificação.

Veja o aburdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.

O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável.

Como ficam as cidades que abriram os sinais wireless? A insegurança jurídica que o PLC impõe gerará um absurdo recuo nesta importante iniciativa de inclusão digital. Como fica um download de um BitTorrent? Deverá ser denunciado pelos provedores? Ou para evitar problemas será simplesmente proibido por quem garante o acesso?

Como fica o uso da TV Miro (www.getmiro.com/)? Os provedores deverão se intrometer no fluxo de imagens e pacotes baixados pelo aplicativo da TV Miro? E um podcast? Como o provedor saberá se não contém músicas que violam o copyright? Se o arquivo trazer músicas sem licença, o provedor poderá ser denunciado por omissão? Pelo não cumprimento da lei?

O PLC incentiva o temor, o vigilantismo e a quebra da privacidade. Prejudica a liberdade de fluxos e a criatividade. Impõe o medo de expandir as redes.

O artigo 22 do projeto deve ser integralmente REJEITADO.

(iii) Art. 22
Art. 22. O responsável pelo provimento de acesso a rede de
computadores é obrigado a:
I - manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da
origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada por meio de rede de computadores e por esta gerados, e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia
requisição judicial;
II - preservar imediatamente, após requisição judicial, no curso de investigação, os dados de que cuida o inciso I deste artigo e outras informações requisitadas por aquela investigação, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta
confidencialidade e inviolabilidade;
III - informar, de maneira sigilosa, à autoridade competente, denúncia da qual tenha tomado conhecimento e que contenha indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público
incondicionado, cuja perpetração haja ocorrido no âmbito da rede de computadores sob sua responsabilidade.
§ 1° Os dados de que cuida o inciso I deste artigo, as condições de segurança de sua guarda, a auditoria à qual serão submetidos e a autoridade competente responsável pela auditoria, serão
definidos nos termos de regulamento.
§ 2° O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$
2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) a cada requisição, aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório.
§ 3° Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei n° 10.201, de
14 de fevereira de 2001.


VEJA O OUTRO exemplo de artigo aprovado no PLC:

(i) Art. 2o (ref. art. 285-A)
Art. 285-A. Acessar rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização do legítimo titular, quando exigida:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.
Parágrafo único. Se o agente se vale de nome falso ou da utilização de identidade de terceiros para a prática do crime, a pena é aumentada de sexta parte.

Este artigo criminaliza o uso de redes P2P e até mesmo a cópia de uma música em um i-pod. Ao escrever que o acesso a um "dispositivo de comunicação" e "sistema informatizado" sem autorização do "legítimo titular", ele envolve absolutamente todo tipo de aparato eletrônico. Se a empresa fonográfica escreve, nas licenças das músicas que comercializa, que não admite a cópia de uma trilha de seu CD para um aparelho móvel, mesmo que seu detentor tenha pago pela licença, estará cometendo um crime PASSÍVEL DE PENA DE RECLUSÃO DE 1 A 3 ANOS.

O projeto de lei é tão absurdo que iguala os adolescentes que compartilham músicas aos crackers e suas quadrilhas que invadem as contas bancárias de cidadãos ou o banco de dados da previdência.

texto tirado deste blog

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

UNIDOS PELO SOFRIMENTO, LUTA E ESPERANÇA


Dos Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul

Carta de apoio aos parentes da Raposa Serra do Sol - Roraima

Se mais de três mil quilômetros nos separam, mais de cinco séculos de resistência nos unem. Se fronteiras e violências dividiram nossos povos, sentimentos de pertença a uma nova pátria foram nos aproximando.
E hoje estamos fortemente unidos na luta pela terra e na esperança de que se faça justiça nesse país tão grande que, como disse nosso grande líder Marçal Tupã’y ao Papa João Paulo II, em Manaus , foi nosso e nos foi tomado. E poucos dias antes ele numa Assembléia Indígena em Brasília ele dizia o que se torna muito atual em nossa luta de hoje “Tenho muito amor ao que é nosso. Deixo um pedido, há pouco ouvi um grupo de Roraima cantando na sua língua. Faça o favor não perca a língua, a tradição. Não troquem por língua estranha. Não troquem a nossa vida da aldeia pela vida da cidade.Hoje estamos no fim de nossa assembléia. O problema de um é de todos. Um dia faremos o ‘V’ da vitória...Seremos vitoriosos” (julho 1980). Vão fazer 25 anos que assassinaram Marçal. Seu grito de vida e vitória continuam a nos unir. Continuamos lutando contra os mesmos inimigos. Alimentamos a mesma esperança.
Durante mais de trinta anos vocês lutaram para ter parte de vossas terras de volta. Nesse tempo também tomaram a quase totalidade de nossas terras. Mataram muitas das nossas lideranças. Hoje estamos confinados, como que presos e cercados por todos os lados. Mas agora também começamos a ver a possibilidade de ter parte de nossos tekoha, terras tradicionais, de volta. Mataram muitos dos nossos parentes. Mas nasceram muito mais. Hoje somos mais de quarenta mil Kaiowá Guarani no Mato Grosso do Sul.
Queremos estar com vocês nesse dia de uma decisão importante sobre vossa terra Raposa Serra do Sol. Esperamos que finalmente a vossa terra seja livre e possam viver nela na paz, solidariedade e alegria. Temos a certeza de que também podemos contar com o apoio de vocês na luta por nossa terra, vida com dignidade.

Dourados, 26 de agosto de 2008-08-26

Comissão de Direitos Kaiowá-Guarani Campanha Povo Guarani um Grande Povo

Conselho Indígena de Roraima


terça-feira, 5 de agosto de 2008

Ciberataque à Folha de São Paulo.

O site www1.folha.com.br da Folha de São Paulo ficou vários dias invadido e em erro, com uma mensagem que reuniu principalmente notícias do dia 10 de outubro de 2002, mostrando a face do Bush (pedindo para censurar BinLaden); como funciona um tomahawk (míssel inteligente americano ) e outras notícias relacionadas aos militantes do Islâ e as tentativas de seqüestros de aviões.
O www.folha.com.br ficou normal, apenas o www1 que foi modificado (na primeira semana de agosto). O www1 seria um site espelho do www, para desafogar os acessos no www. Só depois de uma semana a folha começou a redirecionar o www1 para o www.
Bem feito prá vcs! Imprensa Suja e panfletária do PSDB.

Violência Política no Brasil: Sede da Conlutas é atacada por Jagunços.

Episódio é exemplo lamentável de gangsterismo


No dia 01 de agosto a sede da CONLUTAS em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, sofreu um atentado a tiros. Gangsteres e bandidos armados de escopetas, rojões e revolveres invadiram a sede quando os trabalhadores da Construção Civil da Revap preparavam sua assembléia para fundar uma ASSOCIAÇÃO DE AJUDA MUTUA E SOLIDARIEDADE DOS TRABALHADORES.

A sede da CONLUTAS fica em uma área pertencente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. Cerca de 30 homens armados, alguns encapuzados, desceram de um ônibus vindo de outra cidade e invadiram o local com gritos, ameaças e tiros. Houve quebra-quebra de instalações da sede, móveis, três carros do sindicato e do caminhão de som, que estavam estacionados no local. Um trabalhador foi baleado na cabeça e tiros foram disparados contra o coordenador da CONLUTAS.

Durante a invasão nada de valor foi roubado. Apenas documentos relativos à fundação da Associação foram levados. Tais como a ata e a lista de presença da assembléia.

Os fatos são de extrema gravidade. Este é o maior ataque a uma organização do movimento operário desde a época da Ditadura Militar. Atos como estes relembram o fascismo italiano, onde a violência e o bandidismo eram utilizados contra os trabalhadores.

Muitos se perguntam quem seriam os responsáveis deste ataque. Ainda não sabemos, mas podemos dizer quem mais ganhou com eles. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Sindicato da Construção Civil da região, já que este sindicato foi rechaçado pela categoria durante a vitoriosa greve de 31 dias na REVAP, onde foi criada uma Comissão de Mobilização e Negociação independente da entidade sindical.

A PETROBRAS e as empreiteiras, com a Ecovap em particular, que tiveram a obra paralisada por mais de 50 dias e foram obrigadas a uma reorganização que levara ao atraso de pelo menos mais um ano. Em virtude disso, iniciaram uma perseguição aos trabalhadores, tentam criminalizar o movimento, demitiram todos os membros do Comando, decretaram lockout e iniciaram um processo de demissão em massa. Toda esta repressão teve seu ponto alto com a invasão pela Tropa de Choque, sem ordem judicial e autorizada pela direção da empresa, no dia 10 de julho.

A CONLUTAS e os trabalhadores terceirizados da REVAP exigem do Governo Lula, da Polícia Federal, do Governo Serra e da Policia do Estado que investiguem e esclareçam o papel do Sindicato da Construção Civil, filiado à CUT, da PETROBRAS e de sua empreiteira a ECOVAP, nestes acontecimentos.

Exigimos a identificação e a punição exemplar dos responsáveis por este crime. Já que este é um crime de motivação notoriamente política. Além disso, se ocorrer algum atentado ou represálias contra os dirigentes da CONLUTAS do Vale do Paraíba ou qualquer dos presentes que assinaram a lista de presença da assembléia a responsabilidade cairá sobre o Sindicato da Construção Civil, a CUT, a direção da PETROBRAS e da ECOVAP.

O direito de organização dos trabalhadores e das entidades sindicais são garantidos pela Constituição e é um dever do Estado garanti-los.

Este é mais um episódio lamentável da criminalização dos movimentos sociais que temos visto crescer em nosso país no ultimo período. São os interditos proibitórios e suas multas milionárias; a interferência do Estado e das empresas na organização dos trabalhadores; a divisões sindicais efetuadas pela CUT como a fundação do Sindicato Aeroespacial em São José para roubar a base da Embraer do Sindicato dos Metalúrgicos; a demissão dos dirigentes e ativistas sindicais, e agora, a utilização de jagunços armados para impedir uma reunião de trabalhadores.

O ataque à sede da CONLUTAS é um ataque ao conjunto das organizações independentes do movimento operário. Uma agressão a todos que repudiam o uso da violência física para dirimir diferenças políticas.

Anunciamos desde já que se o objetivo deste ataque é silenciar a CONLUTAS do Vale do Paraíba, ele não será atingido, queremos deixar claro que NÃO NOS CALAREMOS E CONTINUAREMOS APOIANDO TODAS AS LUTAS DA CLASSE TRABALHADORA e utilizaremos de todos os meios que estiverem a nosso alcance para garantir nossa autodefesa.

Tanto é assim que após a fuga dos jagunços a assembléia se restabeleceu e a ASSOCIAÇÃO foi fundada. Mostrando a força e a disposição dos operários.

Como primeiro passo, chamamos a todos os ativistas da vanguarda de todos os sindicatos filiados a uma Plenária Regional na segunda feira, 04 de agosto às 18 horas, na sede regional da CONLUTAS para discutir uma CAMPANHA NACIONAL CONTRA ESTE ATAQUE.

COORDENAÇÃO DA CONLUTAS DO VALE DO PARAIBA

sábado, 14 de junho de 2008

Professores em Greve em SP


Dia 13 de Junho de 2008, começa a greve de professores no Estado de São Paulo.

Na praça da República, em frente a Secretaria de Educação foi deflagrada a greve contra o governo do Estado. A Apeoesp conseguiu mobilizar milhares de professores (entre 25 a 30 mil) de todo Estado de São Paulo. A greve decidida nesta Assembleia é uma resposta aos cortes de direitos trabalhistas dos profissionais da educação. Os professores da rede pública estadual, no governo José Erra(PSDB),perderam o direito inclusive de ficarem doentes (já que a falta médica foi limitada em 6 por ano!!!!), além de outros ataques à categoria, como o fim do direito à remoção, que era muito útil, pois possibilitava aos professores voltarem para sua comunidades... e também uma gama de reformas neoliberais que irão, com certeza, aumentar o desemprego da categoria, pois muda o regime de substituição para a contratação temporária de professores.

Outras desventuras na área da educação do Governo da Secretária Maria Helena e do PSDB foram: o fim da sociologia e diminuição drásticas das aulas de filosofia no Ensino Médio (totalmente na contra-mão do país, já que estas disciplinas estão sendo incluídas em todos os Estados da federação), que deixou mais de 1200 professores desempregados só em SP. Acordos com a Editora Abril e o Grupo Roberto Marinho para fornecerem material didatico ( não sei porque , já que existe um gráfica do Estado)e apoio ideológico de empresários dentro das escolas.

O Governo do PSDB é marcado pelo estímulo à competição(e não à cooperação), gerando uma realidade dentro das escolas insuportável entre professores, funcionários e alunos. Até o coordenador pedagógico que era eleito, agora é escolhido pela direção da escola, gerando "favorecimentos" e estabelecimento de "grupos de poder" dentro das Escolas Públicas, fato que atrapalha e muito o ensino público...eu poderia citar muito mais coisas, porém o triste retrato do ensino paulista, entre os piores do Brasil, nos fala tudo sobre os 12 anos de governos do PSDB no Estado.

Até a vitória, sempre !

quinta-feira, 5 de junho de 2008

FARC-EP: "Estamos Bem"


As FARC-EP são a única guerrilha surgida nos anos de ditaduras militares na América Latina que se consolidou, de tantos outros grupos, milhares, as FARCs resistem e se mantém como uma alternativa guevarista dentre a esquerda contemporânea. Diante do revisionismo de partidos com o PT, o PSOL e o PSTU, que disvirtuam as massas da insurreição devido as suas preocupações eleitoreiras e suas ligações com a legalidade burguesa, obedecem as regras do jogo que dizem querer mudar, de fato não são revolucionários.
A morte de 3 comandantes da cúpula das FARCs em nada mudará uma organização estabelecida em 40 anos de Guerra de Guerrilhas (na verdade, hoje, segundo o pensamento de Che Guevara estão em Guerra Civil). Vemos como exemplo a morte do líder do Hizbollah na Síria no início do ano através de um atentado promovido pela Mossad (serviço secreto, ou terroristas legalizados) israelense, o que mudou no Hezbollah por causa disso? Absolutamente nada ! O Hezbollah continua sua caminhada cada vez mais vitoriosa no Líbano e combatendo Israel. Organizações consolidadas não se abalam com esse método de assassinatos de líderes adotado por Israel, pelos EUA e pelo governo da Colombia, pois a causa que as fazem existir ainda são as mesmas.

As FARCs devem investir em uma atuação no meio da população civil pobre e explorada (como o Hizbollah faz no Líbano de uma forma efetiva e eficaz), nos sindicatos, nas centrais sindicais, nas comunidades urbanas pobres...essa é a melhor arma para destruição do Estado capitalista e do imperialismo, depois as "outras armas" viriam em auxílio da insurreição popular.
contamos com vocês.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Em Defesa do Macunaíma

No Roraima a etnia Macuxi vem sofrendo ataques em seus direitos constitucionais. Cerca de 6 fazendeiros estão criando caso contra a demarcação da terra Macuxi. Os fazendeiros, principalmente seu lider Quartiero, vem manipulando a opinião nacional através de suas influências nas instâncias de poder (mídia, militares e juízes). Quartiero, com apoio de um coronel do exército e funcionário da Abin, fabrica bombas e colocou um carro bomba na frente da policia federal(imaginem se fosse o MST que fizesse isso...mas como foi fazendeiro oligarca), sem falar de mortes e desaparecimentos de indígenas na região.
O General do Exercito, Heleno, comandante militar da Amazónia, se manifestou contra a demarcação das terras Macuxi, argumentando a defesa do território nacional...uma inverdade e burrice por parte do general. Suas preocupações são falsas, já que se estivesse preocupado com a soberania nacional teria criticado a presença do maior porta-aviões do Império na costa brasileira e navegando próximo às águas da gigantesca reserva de gás da bacia de santos. Se o General Heleno tivesse se preocupado com os minérios brasileiros criticaria a venda da Vale do Rio Doce e de todo nosso subsolo aos estrangeiros.
Mas não, o comandante militar da Amazónia prefere atacar os direitos indígenas Macuxi, e assim defender a exploração do latifúndio de arroz e soja no Roraima.
O Exército brasileiro, com um comandante desse, demonstra qual é o seu papel na história do Brasil: defender a elite econômica e reprimir os excluídos de 500 anos da nossa sociedade.

O General Heleno não sabe do papel histórico dos Macuxis na defesa do território brasileiro quando a Inglaterra queria tomar o Roraima em 1904. também desconhece a literatura nacional, e não sabe que um dos maiores livros de nossa literatura, escrito por Mário de Andrade, e que fala de nossa brasilidade antropofágica, o macunaíma, foi inspirado em uma história da mitologia Macuxi, essa mesma que hoje vê suas terras em perigo e com a possibilidade de ser fragmentada.
O líder dos arrozeiro tem influências nas mais altas instâncias de Brasília, como no Superior Tribunal Federal, e no proprio Exército.

Esta anunciado, já a algum tempo, um conflito no Roraima...e os indígenas, vão resistir.
Todo apoio ao povo Macuxi.

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Abaixo
Matéria do Jornal "Brasil de Fato" sobre o que ocorre no Roraima.


"Em 1904, o Estado brasileiro usou a presença de indígenas em Roraima para manter o Estado de Roraima em disputa com a Inglaterra; agora, o Exército considera a demarcação contínua "ameaça" à soberania

Os especialistas ouvidos pelo Brasil de Fato rechaçam a tese de que as terras em área de fronteira de Roraima com a Guiana e a Venezuela sejam uma ameaça à soberania nacional, como alegou o comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno. O comandante também havia dito que a política indigenista do Brasil era "caótica".


O antropólogo Luiz Cardoso de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e professor da Universidade de Brasília, recorda que boa parte do Estado de Roraima foi mantida como território brasileiro numa disputa ocorrida em 1904 com a Inglaterra, quando o diplomata Joaquim Nabuco usou como argumento a presença de população indígena que se identificava como brasileira na região.


"Temos um quadro em que num primeiro momento essa população é utilizada como evidência do caráter nacional e da extensão do nosso território. Agora, quando ela não interessa mais para os grupos poderosos locais, a população passa a ser identificada como inimiga da nação. É um caso complicado e perverso", denuncia Oliveira.


Para Paulo Santilli, antropólogo da Fundação Nacional do Índio (Funai), as afirmações do general Augusto Heleno são absolutamente improcedentes. "A presença dos indígenas na região foi a responsável pelo estabelecimento das fronteiras nacionais. Na hora de reconhecer os direitos indígenas, surgem esses argumentos infundados", critica Santilli. "A demarcação das terras é um ato soberano, e não o contrário", define. Na região onde a reserva está localizada, há três pelotões do Exército, nas cidades de Normandia, Uiramutã e Pacaraima, localizadas a cerca de 60km uma da outra.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também rebateu as alegações do general. Lula afirmou que a tese dos que vêem riscos de ocupação estrangeira é uma "bravata". "Quem fala isso não fala com muita convicção?, afirmou. "Acho que quem quer as coisas de verdade não tem de ficar fazendo bravata", disse.


O ministro da Justiça, Tarso Genro, também criticou o general. Para ele, terra indígena na fronteira "não afeta a soberania nacional coisa nenhuma. Uns estão desinformados e outros acham que a única forma de ocupação é deixar fazendeiros trabalharem. Isso é um preconceito", disse."

quinta-feira, 15 de maio de 2008

...nem o centro e nem a periferia...


"Como última parte de nossa estendida intervenção neste colóquio, quero explicar o que queremos assinalar com o título geral, esse “Nem o centro, nem a periferia”.
Nós pensamos que não se trata só de evitar as armadilhas e concepções, teóricas e analíticas neste caso, que o centro põe e impõe à periferia.
Tampouco se trata de intervir e agora mudar o centro gravitacional para a periferia, para daí “irradiar” ao centro.
Acreditamos, ao contrário, que essa outra teoria, algumas das quais os traços gerais foi apresentado aqui, deve romper também com essa lógica de centros e periferia, deve então ancorar-se em realidades que irrompem, que amergem, e, assim, abrir novos caminhos.
Se é que este tipo de encontro se repete, creio que estarão de acordo comigo que a presença de movimentos anti-sistêmicos, como agora o do Movimento dos Sem Terra do Brasil, são particularmente enriquecedores.
Bem, creio que é tudo.
Ah, antes que me esqueça: ai vos engarrego.
Muchas gracias a todas, a todos."
Subcomandante Insurgente Marcos.
San Critóbal de Las Casas, Chiapas, México.
leia os textos:
"Nem o centro e nem a periferia. Sobre cores, calendários e geografia. (Sub.Marcos)
Dezembro de 2007.


domingo, 11 de maio de 2008

Relato da repressão à "Marcha pela Democracia" em João Pessoas.



Devido à proibição da Marcha da Maconha na Paraíba, os manifestantes decidiram realizar a Marcha pela Democracia, mas mesmo assim a policia provocou, reprimiu e torturou, jogando no lixo a Constituição Federal Brasileira, que fala sobre a livre a manifestação pública segundo seu artigo quinto.. leia o relato e veremos que a distancia entre a realidade de hoje e a de 30 anos atrás, não é muito grande. E cadê a OEA que não se manifesta sobre isso ? A OEA só aparece quando é para criticar o regime cubano e perseguir governos populares de esquerda latino-americanos.


Depoimento
meu nome é Fábio, sou cidadão paraibano com RG, CPF e Título de Eleitor em dia.
Sou estudante universitário e trabalho.

domingo, 4 de maio de 2008

14h - Inicia-se no Busto de Tamandaré um ato público pela democracia e contra a repressão, onde diversas pessoas vão chegando com faixas e cartazes com frases como: abaixo a ditadura, pela liberdade de expressão, democracia não é mercadoria, abaixo ás autoridades corrupitas, sou cidadão e exijo meu direito, respeitem o artigo quinto da constituição,libertem as plantas...
15:30 - Chega o carro de som, e as pessoas começam a se manifestar. Mas logo os guardas da STTRANS diz que recebeu a ordem para que o carro de som saísse do Busto de Tamandaré.
Então resolvemos sair em passeata pela orla. Jovens, idosos, adultos e crianças acompanham o som segurando cartazes, com apitos, fogos e gritos de ordem.
Pacificamente e discontraidos seguem os manifestantes, até que por volta das 16:30h divesos policiais e amarelinhos se aproximam do som, solicitando a carteira de motorista do condutor do minitrio, o qual demora uns 10 minutos para encontra-la no meio de alguns CDs. Em seguida verificam o instintor... tudo ok. Mas logo vem a ordem, não pode mais ligar o som. Me direcionei ao policial responsável, acho que era tenente, e ele me disse que não poderiamos seguir com o som. Argumentei do pq, pois a SEMAS havia autorizado, e a procuradoria do MP havia dito que a marcha de democracia podia acontecer por tanto que não se falasse em legalização da maconha.O policial me respondeu:´não quero saber se a SEMAs autorizou, o Coronel ligou dizendo que a ordem é de desligar o som. Perguntei de quem partiu a ordem e solicitei um documento desse ordem. Ele repondeu: Não tem documento, e desligue. Percebí o que estava acontecendo, e para continuar dentro da "lei", desligamos o som.
Fizemos uma roda em volta do minitrio e cantamos algumas canções e cirandas. Logo a polícia faz um cerco em volta do som para ninguem chegar perto, e um rapaz pede aos políciais para pegar suas coisas que ficaram em cima do minitrio...pedido negado!Quando o minitrio vai ser levado o manifestante deita na frente pedindo para retirar seus objetos, e rapidamente é arrastado por alguns policiais. Ao tentar voltar para impedir de o minitrio ir embora o manifestante é agredido pela polícia onde sua carteira e óculos se perdem no meio dos policiais. Ao ver o óculos um policial pisa em cima. A carteira não mais é encontrada, fazendo com que esse manifestante indignado dê voltas em torno da polícia proucurando sua carteira exijindo que achem. Logo tentam mobiliza-lo e o povo o resgata. Começamos a nos organizar para sair em passeata novamente mesmo sem som, mas logo o tenente me "esclarece" dizendo que a manifestação não pode seguir, pois recebeu ordens.
De repente dezenas de policiais montados em cavalos aparecem com seus cacetetes levantados, mais algumas dezenas de viaturas ocupam a avenida. Os cavalos começam a avançar em direção aos manifestantes que começam a cantar:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!
...

o Hino Nacional Brasileiro é cantado fortemente e com amor pelos estudantes e trabalhadores se espalhando o eco para as pessoas que assistiam dos prédios, dos bares e calçadas. Emocionante e bravamente finaliza o hino nacional, e em seguida TUMULTO..os cavalos avançam para cima dos manifestantes com agressões, e os mesmo coagidos por "pura repressão", sem entender do por quê e qual motivo estavam sendo reprimidos. quando a polícia começa mobilizar alguns estudantes que são levados violentamente para as viaturas, e a partir disso o povo avançam para resgatar alguns companheiros que nada fizeram para seram presos, e começa uma enorme pancadaria nos manifestantes, com espreis de pimenta, gás de efeito moral, tiros com balas de borracha...um policial perdi o controle do cavalo que se agita em cima dos manifestantes derrubando o policial de cara no chão, e em seguida é atropelado por outro cavalo(o policial declarou para a mídia que levou uma pedrada).
Logo diversos policiais montados em seus cavalos avançam em direção as pessoas que se encontravam nas calçadas e bares, e a repressão é ainda maior, pois ví idosos e crianças correndo assustados tentando se proteger dos cavalos que atacavam. Muitos gritos, muita tristeza, muita revolta...
Dispersou-se os manifestantes, e alguns gritam chamando todos para se reunirem no busto de tamandaré e avaliar o que fazer em relação aos estudantes inocentes que foram presos após uma ação ditatorial. Percebí que diversas pessoas se encontravam do outro lado da barreira polícial que se formou na rua, e resolví voltar para chamar alguns companheiros.
Não deu muito tempo, enquanto caminhava ví um amigo(Enrique) que se direcionava ao busto e foi agredido e mobilizado por diversos policiais. Assim que me virei e resolví sair dalí recebí um "mata-leão", onde um dos policiais que estavam sem farda e ficava rindo encostado no carro, me enforcava dizendo: vou te apagar, vou te apagar...vôou fora minhas chinelas e chapeu...primeiro me aperriei, mas quando ví outros diversos policiais avançando em minhha direção, não mais tinha força enquanto era estrangulado. Falta de oxigênio e muitas porradas...tive de fingir passar mal e ter apagado antes que minha vida terminasse naquela repressão covarde. Me jogaram na mala da viatura. Assim que fecharam abrí os olhos e conhecí duas pessoas que já se encontravam na mala. Um, era soldado de cuiabá, e não teve tempo de se explicar. Outro era um rapaz que tirava fotos.
Meu celular tocou...era o Lou, companheiro da manifestaçao, me informando que tinha sido preso,e respondí: eu ví quando vc foi preso, e quando me virei tb fui detido, ou seja estou preso tb....rimos da situação.
Levados para a décima delegacia em tambaú....chegando ví que fomos a primeira viatura. Lá só se encontrava uma estudante querendo dar queixa contra uma policial que lançou esprei de pimenta direto em seu rosto que se encontrava vermelho e afetado. Logo chegou outra viatura com mais 3 pessoas, entre elas o Lou. Em seguida mais uma, com outros tres estudantes. Alguns muito feridos!
Fomos levados os 9 para uma sela, onde passei cerca de 2h. Lá nos conhecemos, fomos provocados por alguns policiais e ameaçados por um outro sem farda.

Conversando conhecemos um rapaz que não estava na marcha e contou: quando voltava do seu trabalho viu o tumulto, e parou para tirar uma foto com o celular...rapidamen te alguns policiais avançaram em cima dele com cacetetes e o celular vôou, e assim ficou perdido. Lamentamos bastante a situação dele e nossa revolta aumentou diante tanta injustiça e censura. Havia um outro, o soldado do exercito de cuiabá que estava na mesma viatura que eu, que também não participava da passeata, mas foi surpreendido quando passava.

Um a um foi sendo liberado da sela para falar com o delegado que chegou na delegacia cerca de 1:30. Mas antes alguns policiais resolveram acusar na sorte do dedo alguns de nós de terem lançado pedras. Engraçado...precisav am lascar ainda mais....sendo assim um policial acusou o outro rapaz que veio na viatura comigo. E um outro policial(reconhecí , era o policial que caiu do cavalo machucando a cara) me acusou da seguinte forma: Um policial perguntou quem é Fábio, e me apresentei, em seguida chamou o policial ferido dizendo, foi esse num foi? e o PM ferido confirmou sem nem ohar para minha cara..."caralho vai tomar no cú, que ira que eu estava, pois não peguei em merda de pedra nenhuma"... mas confiamos no nosso advogado, um grande homem, o Dr. Américo Almeida, que defendia todos que foram presos.
Fui o segundo a ser escutado pelo delegado e liberado por volta das 21h. Quando cheguei lá fora tinham umas 50 pessoas que começaram a bater palma...fiquei pasmo com o companheirismo. Logo mais um foi solto...era o cara do exército. Em seguida o delegado teve de sair por causa de uma chamada onde haviam matado alguem próximo a Mata do Amém. esse fato fez com que os outros viessem esperar a chegada do delegado por mais umas 2 ou 3 horas, e eu fiquei em frente a delegacia aguardando os companheiros de manifestação e "sela" junto com aqueles que aplaudiram.
Pensei naquele momento, e hoje depois de uma pesquisa tive certeza, que naquela noite os bandidos, assassinos, marginais... ..fizeram a festa em nossa cidade, pois toda polícia militar foi colocada para violentar o direito dos estudantes da marcha pela democracia e contra a repressão, com agressões físicas e psicologicas.
Conclusão:
o vereador Amorin falou em uma jornal, que a sociedade devia agir com violência contra a marcha.
o famoso arcebispo Dom Aldo, disse que a sociedade não podia permitir aquela "vergonha", e a marcha não podia acontecer de forma alguma.

Se tivessemos terminado a passeata como tentamos, com tranqulidade, paz, respeito, sem falar em legalização(CENSURADO ), com seriedade... seriamos vitoriosos, e a sociedade conheceria realmente o que queriamos, com gritos de ordem pedindo abaixo autoridades corrompidas, abaixo a censura contra diversos movimentos sociais... MAS ISSO NÃO IRIA ACONTECER DE JEITO NENHUM!
JÁ ESTAVA TUDO DECIDIDO!
TINHA QUE TERMINAR EM PORRADA PARA PASSAR A IMAGEM QUE SOMOS ARRUACEIROS!
PROGRAMAMOS UM FIM, MAS NÃO SABIAMOS QUE OUTRAS FORÇAS MAIORES E PODEROSAS PROGRAMARAM OUTRO FIM, SENDO COM TUMULTO.

Que país é esse?
Que sistema é esse?
Que justiça é essa?
Para onde estamos caminhando?

PELO FIM DESSA DITADURA MASCARADA!

NÃO A REPRESSÃO, EXIJO LIBERDADE DE EXPRESSÃO!


Fábio Fena
Produtor de Eventos
Estudante Concluinte de Ciências Contábeis
Militante de Movimentos Sociais

fonte: Centro de Mídia Independente

quarta-feira, 7 de maio de 2008

"O Grande Irmão" vigiando o Ciberespaço.


O google entregou para polícia federal um disco de dvd gravado com cerca de 3000 perfis de orkut que estão nas mãos das autoridades, em nome da CPI da Pedofilia. Segundo notícia no site do senado, destes 3000 usuários, foram identificados apenas 500 como pedófilos.

Mas fica a pergunta no ar: e os 2500 perfis restantes que estão no dvd que não tem nada a ver com a pedofilia serão usados para que ? Para caçar militantes de movimentos sociais e organizações políticas ? Não duvido que sim ! Por que se indígenas desarmados estão sendo chamados de terroristas no Roraima...logo todos nós militantes e ativistas também seremos investigados como tal, só por questionar o poder na sociedade capitalista.

Com o advento do mundo virtual-tecnológico, o sistema e sua forças de segurança não vão resistir em usar o ciberespaço como forma de repressão e controle.

domingo, 4 de maio de 2008

Brasil Reprime debate sobre a Maconha



Assim é a falsa democracia brasileira: no primeiro de maio militantes anarquistas (Cob/Ait), inclusive menores de idades , foram torturados e ameaçados de morte em uma delegacia de São Paulo. Em Rondônia uma chacina de sem-terras (LCP) aconteceu a poucos dias, porem não foi divulgado na mídia e o governo ignorou o ocorrido. Agora, a marcha da maconha foi proibida em quase todo país, das 13 grandes cidade onde ia ocorrer a marcha, apenas quatro poderão realizá-la , Porto Alegre, Recife, Florianópolis e Vitoria.

O conservadorismo da sociedade brasileira reagiu, falando em nome da família, a direita moralista reagiu por meio de um sistema judiciário dominado por membros conservadores e elitistas que pisaram na Constituição brasileira. O quinto artigo da Constituição Federal diz sobre a liberdade de organização e manifestação pública pacifica, porem juízes de diversos estados a desrespeitaram e a jogaram no lixo, acusando a manifestação de apologia e incitação ao uso de drogas, sendo que os realizadores tomaram o cuidado de não permitirem a presença de menores de idade e o uso da erva durante o ato. Seria uma manifestação pelo debate da legalização, e não ao consumo...porém a manifestação não poderá ocorrer por ordens dos juízes , estão proibidos os cidadãos brasileiros de se manifestarem publicamente sobre a legalização da maconha.

No Brasil essa repressão acontece porque vivemos um sistema republicano falho, que não foi conquistado pelo povo organizado em um movimento político republicano e democrático, como na França ou nos EUA. No dia da proclamação da República brasileira as pessoas não sabiam o que estava acontecendo, o sistema monárquico foi substituído pela “república liberal” em um acordo entre elites e através de um Golpes militar de Estado. A população ficou fora deste processo político, nunca houve um movimento republicano verdadeiro no Brasil, com participação popular. Aqui o povo ignora as leis e a constituição, é comum a população dizer que a lei no Brasil só é aplicada quando for pra punir o mais pobre e excluído, o negro e o indígena. No Brasil dificilmente você vê um corrupto rico, bem relacionado, sendo preso, ou ficando muito tempo na cadeia...porém se um pobre for pego roubando galinhas, vai direto para o presídio em celas superlotadas, como ocorreu no estado de São Paulo semana passada.

O sistema liberal no Brasil é falho, porque quando o pobre, a esquerda, os libertários e os excluídos tentam cobrar seus direitos, são violentamente reprimidos. Uma sociedade fundada no colonialismo servil, nas relações de poder, onde uma elite católica conservadora e com apoio militar dos chefes das forças armadas, domina o país. O Brasil na maior parte de sua história viveu regimes de ditaduras autoritárias e militares, com repressões cruéis contra os trabalhadores pois fomos o último país a libertar os escravos. O conservadorismo domina as forças armadas e o judiciário, toda manifestação política do trabalhador é vista como perigosa e precisa ser reprimida. O uso da maconha, como algo fora da realidade branca, católica européia , está sendo reprimida no Brasil. Primeiro foi a repressão contra a exibição de um filme sobre a legalização dentro da Universidade Federal de Minas Gerias em abril de 2008, onde a polícia ocupou o Instituto de Geociências e agrediu os estudantes, tudo por causa de um debate sobre a legalização. Agora os conservadores estão contra a marcha da maconha, essa ação, antes de qualquer coisa, deixa claro que a repressão esta baseada no moralismo conservador e não em uma análise verdadeiramente democrática sobre o uso de uma erva que faz menos mal que o cigarro e o álcool, que são vendidos livremente no Brasil. A democracia no Brasil é falha, aqui dependemos das lutas sociais para garantir nossos direitos que estão na constituição... a repressão contra manifestação sobre a legalização da maconha nos mostra como somos um país autoritário e conservador e poucos preparados para o exercício pleno da democracia.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Professores em Luta: Na França, Espanha e Brasil...a causa é uma só: contra as reformas neoliberais e conservadoras !


A Educação de Qualidade é fundamental para a construção de sociedade mais crítica e com melhores condições de desenvolvimento humano e social. Sem educação não haverá mudanças, não haverá Revolução. Para melhorar a Educação, é necessário que haja investimentos e políticas públicas que atendam as necessidades da população e que valorizem os professores. Não se pode administrar as escolas da mesma maneira que se administra uma empresa. A Educação não pode servista como uma mercadoria, não pode ser vendida; e o desempenho dos alunos não pode ser visto apenas como algo quantitativo, como um produto final. Por isso é preciso uma mudança radical na estrutura e nas políticas educacionais no atual sistema-mundo que estamos vivendo.

O neoliberalismo econômico impõem políticas educacionais que parecem não se preocupar com a qualidade do ensino público, mas apenas com o quantitativo. Nesta lógica, excluem-se disciplinas de humanidades do currículo escolar, reduz-se a carga horária, aumenta o numero de alunos por sala, que ficam superlotadas. Pouco se investe na qualificação e formação de professores, que são desvalorizados, e possuem carga horária elevada. O Estado, como administrador investe pifiamente para mudar esse quadro. A lógica dos Estados neoliberais é investir pouco e formar mais.

Portanto, é necessário lutar para esse quadro mudar, e dia 29 de Abril de 2008 foi marcado por lutas que pedem melhorias na Educação na França e na Espanha.

Na França, a luta dos professores é contra as reformas do governo, que reduziu a carga horária nas escolas, gerando desemprego. Os licenciados decretaram guerra contra o Estado, e suas políticas neoliberais.

Em Santiago, na Espanha, algumas das principais reivindicações é por uma educação laica, aumento da carga horária das disciplinas de Filosofia, História e Educação Física, redução do número de alunos por sala de aula (máximo 25 alunos) .

Só a Luta muda a Vida!
Melhor educação é melhor cidadania!
Só a Revolução derrota velhas Estruturas!

luta dos professores na Espanha

fonte: blog coordenação-ativa

sábado, 26 de abril de 2008

O holocausto promovido por Israel


da France Presse, no Cairo

A Liga Árabe advertiu neste sábado (26/4/2008) para uma possível "catástrofe humanitária sem precedentes" na Faixa de Gaza, após a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Ajuda aos Refugiados Palestinos) ter de suspender a distribuição de alimentos devido à falta de combustível.

"A suspensão da distribuição de ajuda para um milhão de palestinos depois das autoridades israelenses se negarem a abastecer a Faixa de Gaza com combustível é um sinal de alarme que anuncia uma maior deterioração da situação já explosiva", afirmou Hicham Yussef, chefe do escritório do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, em um comunicado.

"Se a isso se somar à continuação da ofensiva militar israelense contra os palestinos de Gaza, a situação corre o risco de desembocar em uma catástrofe humanitária sem precedentes, que tem como único responsável o governo israelense", disse Yusef.

A UNRWA interrompeu na quinta-feira sua distribuição de alimentos entre 650 mil palestinos após o fim da suas reservas de diesel, o que impede o funcionamento de seus caminhões.

Israel deixou de fornecer combustível à Faixa de Gaza depois de um ataque palestino, em 9 de abril, contra o terminal de Nahal Oz, único posto de fronteira para o transporte de combustível entre a Faixa de Gaza e Israel.

O governo israelense afirma que não pode entregar combustível para Gaza porque as reservas do lado palestino estão cheias.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

A covardia de Israel.

Soldados israelenses amarram menino Palestino para servir de escudo humano.
As atrocidade do estado de Israel são aberrantes, assim como a ONU é inútil, já que não é capaz de punir efetivamente Israel e sua ideologia racista, o sionismo.

terça-feira, 22 de abril de 2008

A mídia terrorista do Brasil atua contra camponeses.


No Brasil as coisas são assim.

Em Rondônia, um dos Estado mais violentos do país, onde pistoleiros, esquadrões da morte, formados por policiais militares e paramilitares atuam livremente para defender os interesses de grandes fazendeiros, ligados aos políticos da capital Brasília.
Nos últimos tempos vem sendo escondido do público nacional e internacional a perseguição aos acampamentos de camponeses sem-terra. Devido ao grande número de assassinatos de militantes sem-terra, os camponeses decidiram pelo uso de camisas e máscaras para preservar a identidade dos camponeses... devido a esses "rostos tampados" encapuzados, os poderosos do Pará montaram uma campanha contra os sem-terra, os acusando de estarem montando uma guerrilha. A imprensa empresarial de Rondônia faz tempo promove uma campanha contra a LCP (Liga dos Camponenes Pobres) ligada à Liga Operária, os acusando de promover a luta armada. A pouco tempo, uma revista de circulação nacional, que não é a revista Veja, mas é séria candidata a substitui-la como a" imprensa da direita" (isso porque a Veja chegou ao limite da decadência, inclusive suas vendas caem vertiginosamente), estamos falando da revista Isto É, que publicou reportagens , igualmente enganosas, chamando a LCP e seus camponeses de guerrilheiros. O que aconteceu ? Dias depois ocorre uma chacina de camponeses sem-terra da LCP em Campo Novo, cerca de 100 paramilitares pagos pelos fazendeiros e fortemente armados, mataram 15 pessoas, inclusive uma mulher grávida. No momento do ataque outras famílias de camponeses sairam fugindo, deixando suas posses no acampamento, e estão a dias na beira de estradas. Os corpos foram ocultado pelos paramilitares e como um verdadeiro teatro, quando as autoridades foram lá não encontraram nada, e disseram a todos que não tinham ocorrido massacre nenhum.

Quer dizer, o Brasil além de promover matanças, oculta seus mortos, os escondem.

nestes links vc poder ver vídeo sobre a LCP.
O primeiro foi produzido pelos camponeses e o segundo é uma defesa contra a acusação de guerrilha em uma reportagem de uma TV local de Rondônia.

vídeo 1

vídeo 2

terça-feira, 15 de abril de 2008

Em defesa da Erva (Marijuana, Maconha, Cannabis, Ganja e etc).


Um dos grandes absurdos ocorrido no Brasil nas últimas semanas foi a repressão ao debate sobre a maconha no Instituto de Geociências da UFMG. A reitoria de forma imbecil chamou a PM para impedir a exibição de um filme que tratava sobre o assunto...Uma prática autoritária e burra tentar impedir qualquer debate no seio da universidade, vai contra a propria ideia de universidade e quando o assunto é sobre a referida planta cannabis sativa, o absurdo toma uma dimenção bem maior.

Vamos então refletir o por que de tanta perseguição à uma simples planta, concebida pela natureza como tantas outras.

Em primeiro lugar a Cannabis Sativa sempre foi vista por maus olhos pela sociedade cristã européia. Não sendo uma planta natural da Europa, é uma planta dos trópicos, que só nasce no terceiro mundo...logo estes mesmos europeus não a conheciam, muito menos os seus usos.

No período dos governos islãmicos na Península Ibérica começou a ocorrer um maior contato cultural entre os povos, e a Peninsula Ibérica foi presenteada com a presença árabe por quase mil anos, e os árabes diversificaram e completaram a cultura ibérica, na linguagem, nas técnicas agrícolas, ensinaram aos portugueses e espanhóis inúmeras formas de irrigação e cultivo de plantas, como a oliva, donde os árabes ensinaram aos portugueses extrair o azeite (al zeit) , por exemplo.
A ocupação árabe não foi caracterizada pela violência contra os cristãos, não havia obrigação de se converter ao islamismo, ao contrário das colonizações cristãs nas Américas, que estariam mais caracterizadas pelo genocídios de etnias e visões de mundo fora do eixo cristão/católico. Dentre os hábitos desses "mouros" na Península Ibérica existia o de fumar o haxixe, palavra oriunda de haxixins, assassinos, referente aos muhajedins, guerreiros islâmicos, que utilizavam a planta. Os islâmicos sendo vistos como infiéis tudo que deriva-se de seus costumes também era considerado profano, como o próprio hábito de fumar o haxixe, que era visto com maus olhos pelos cristãos. Porém o uso e plantio do cânhamo na Península Ibérica pelos árabes introduziu uma nova e eficiente matéria-prima para a produção de panos, estopas, calçados e etc.

Como vemos, em primeiro lugar, desde Portugal, o haxixe já era discriminado por ser associado aos árabes, aos africanos, aos de pele morena e infiéis de outras religiões. Apesar do fim da ocupação árabe, o hábito de fumar o haxixe se difundiu e se estabeleceu, como o consumo do azeite que também foi introduzido pelos árabes em Portugal, até porque mil anos de ocupação não é um ano e nem cem, são mil anos, e muitos ali começaram a gostar de fumar a erva, assim como de planta-la. Um hábito relegado aos marginais e às zonas excluidas e rebelde da sociedade cristã, que rejeitou a maconha e abençoou outra droga, o álcool, a partir do vinho, o "sangue de Cristo".
Nós brasileiro somos formados, entre outros povos, por portugueses, povo oriundo de uma miscigenação entre os europeus mediterrâneos e os norte-africanos. No Brasil carregamos a cultura árabe no alfabeto (palavras que começam com "Al": alfaiate, alface, almoxarifado, alfabeto, alfãndega e etc ), na forma de vestir, nos rostos morenos e cabelos pretos, nos bigodes, nos Arabescos tão presentes em nossas janelas e portões (os ferreiros eram mouros em Portugal !), no machismo que enclausura as mulheres em casa e que admite a traição masculina, no uso dos véus, ainda presente nos sertões de nosso país, nas senhoras católicas, e a própria imagem de Maria, predomina o uso do véu ... nos azulejos trabalhados e enfeitados dos butequins e banheiros e cozinhas, além da própria culinária portuguesa . Como todas essas heranças, o uso do haxixe é uma delas, a muitos anos nossos antepassados fumavam cannabis, e não iremos parar de fumar, nem que o Estado proíba...a cultura e o viver são mais forte do que qualquer exército armado. Por isso que essa guerra contra a maconha, a OTAN já perdeu.

Somos uma nação com uma diversidade humana predominante e estabelecida, outros povos também já utilizavam da cannabis sativa antes de chegarem às estas terras. A cannabis não crescia apenas no norte da África, mas na África central e no sul da África também, e algumas etnias, como os Bantu da Angola também a utilizavam, e ali era chamada "maconha", uma palavra de origem Bantu, como muitas outras hoje no Brasil (macumba, bunda, angu, caçamba, caximbo, calunga e etc) este foi o nome que a planta recebeu aqui no Brasil. Nos EUA ela é chamada "marijuana", como referência aos mexicanos...os nomes sempre associados aos grupos não dominantes da sociedade. Sendo os Bantu escravos, oprimidos pela sociedade branca, tudo de seu universo deveria ser banalizado e perseguido, como sua religião e o uso da própria maconha, que segundo Gilberto Freyre, vieram as sementes nas tangas usadas pelos escravos, na difícil travessia do Atlântico. E como o sociólogo pernambucano afirma, o uso da maconha resiste à desafricanização forçada por governos brancos conservadores, que estimulavam a imigração européia no século XX para "embranquecer" o Brasil...a África continua, na pele, na religiosidade, no "se por para o mundo" e no orgulho black contemporâneo.
No candomblé os Orixás são relacionados cada um à algumas ervas, e ao Exu estava associada a maconha, como uma forma mística de transcendência, porém para evitar as batidas policias os candomblés acabaram por abandonar o ritual com a erva, a planta de Exu. Os Candomblés eram proibidos no século XX, a capoeira era proibida também, o uso da maconha até hoje, ou seja, era proibido ser qualquer coisa que não fosse seguir o parâmetros eurocêntricos.
O cultivo e o culto da Cannabis se estende da África à Índia, e na religiosidade hindu a maconha também é associada à Shivas, o Deus do Caos e da transformação, como o próprio Exu...são deuses que destroem o mundo para reconstruí-los depois, sobre outros parâmetros...essa visão para o monoteísmo era absurda, logo estes deuses caóticos foram tidos como demônios. O haxixe era usado para alcançar a transcendência entre os faquires islâmicos, era a união total com Deus e com o Cosmos. Os Rastafaris da Jamaica, baseados em um culto que surge na Etiópia, trazia do Velho Testamento Hebreu os argumentos para o uso da erva, e interpretavam que no gênises estava escrito que Deus fez a natureza "os rios , os animais, e as ervas para os homens se servirem delas"...Tudo depende do ponto de vista.

O atual preconceito e discriminação do usuário de maconha(o maconheiro), antes de qualquer preocupação com a saúde, está explicado e baseado em anos e séculos de História de conflitos e guerras entre a sociedade cristã européia e outras sociedades que teriam outras formas de vida e de hábitos. O combate conservador ao uso da maconha ainda pode ser visto, arqueologicamente, como resquício das cruzadas contra os árabes, "mouros" e "maometanos"... no policial que agride um usuário, está ali, no fundo, uma agressão baseada na história moral de nossa sociedade em sua relação com os não-brancos.

A repressão (baseada em história e cultura) hoje à maconha nos remete a vários interesses diferentes dos poderosos, desde a manutenção da produção de armas por parte da indústria bélica norte-americana, que alimenta combates ferrenhos na selva colombiana e nas periferias do Rio de janeiro ou da Cidade do México e de qualquer cidade Latino-Americana.
A fibra resistente do Cânhamo, que vem da maconha, poderia vir a servir como matéria-prima concorrente aos produtos derivado de petróleo, que são muitos... inclusive como bio-combustível (porém somos contra os latifúndios !).
Sem falar que, o uso da maconha, ainda serve às democracias burguesas como forma de repressão indireta aos guetos e periferias, pois lá estão os revoltosos, e se não tem motivos para prendê-los e manter uma vigilância constante, então utiliza-se o "combate às drogas" para manter a polícia eternamente ocupando as comunidades pobres.

Referências bibliográficas:

Cascudo, L. Câmara; Dicionário do Folclore brasileiro;Ed.
Bastide, Roger, O Candomblé da Bahia: rito nagô;Cia das Letras, São Paulo
Bey, Hakim; T.A.Z.: Zona Autônoma Temporária, Col. Baderna
Freyre, G. Casa grande & Senzala;
Freyre, G. Sobrados e Mucambos;
Gabeira, F. A Maconha (folha explica);
Hadadd, J. A.; O que é Islamismo.
Revista Super- Interessante; agosto; 2002 , "A Verdade Sobre a Maconha". Leia a reportagem Clickando aqui: superinteressante

domingo, 13 de abril de 2008

Polícia Federal na captura


A Polícia Federal tá pressionando para que seja aprovado um projeto de lei que permite pegar informações de usuários, através do provedor, quando este mesmo órgão repressor achar que ali existe pedofilia.
No Orkut os usuário estão perdendo à privacidade, os álbuns fechados serão quebrados pela PF, sem a necessidade de autorização judicial, é só dá na cabeça deles. Este é o início da vigilância pesada no ciberespaço por parte do Estado. A pedofilia é a desculpa principal para o fim de nossa privacidade.
Nada impede que os usuário pedófilos procurem outros sites de relacionamentos, além do Orkut, fora da alçada das leis brasileiras. Isso tudo é desculpa para repressão aos indivíduos que se colocam contra a ordem, principalmente os ativistas de movimentos sociais e organizações políticas de esquerda.

sábado, 12 de abril de 2008

Autonomia Estudantil : Exemplo para outras categorias...



O movimento estudantil no Brasil está voltando com força total, e desde o ano passado vem realizando ações significativas. Em 2007 ocorreu a histórica ocupação da reitoria da USP contra os corte de verba do governo José Serra em São Paulo, além das ocupações na Unesp de Araraquara e da Fundação Santo André que foram reprimidas pela polícia militar.
Neste ano de 2008 tivemos a invasão da UFMG por parte da polícia, a mando da direção, para reprimir a exibição de um filme sobre a maconha, um ato horrível porque a universidade é o local apropriado para se debater a questão sobre a a legalização da maconha.
Na UNB em Brasília estamos vivendo a ocupação da reitoria por parte dos estudantes, pedindo a saída do reitor devido às denúncias de corrupção...parece que o cara começou a cair.

Nos últimos anos a UNE encontra-se aparelhada pelo governo do PT através do PC do B, blindando qualquer manifestação contra o governo federal, porém os estudantes estão buscando outros caminhos de forma autônoma, esse é o jeito... já que a burocracia tomou conta da UNE. Outras categorias poderiam seguir este exemplo, principalmente os professores da Apeoesp em São Paulo, o maior sindicato da América Latina encontra-se extremamente burocratizado pelas chapas governistas da Cut, e sem a menor capacidade moral de mobilizar o professorado contra as medidas neoliberais do governo Serra, e o que é pior, as chapas de oposição, como a Oposição Alternativa (Conlutas) não aprofunda a crítica à este nível, de buscar a autonomia para a categoria, está mais preocupada em conquistar os aparatos do sindicato.
A dita "oposição" quer ocupar a mesma posição da chapa Cutista, apenas trocando a burocracia....não são uma Oposição Sindical, e sim uma chapa de oposição. A Oposição Sindical, antes de ocupar cargos, se preocupa em organizar os trabalhadores em seus locais de trabalho, com plena participação da base, democracia direta, e organizando um fundo de greve. A chapa de oposição é uma possibilidade eleitoral de mudança dos cargos do aparato, mas não significa maior participação e maior concientização e mobilização para as greves por parte do professores que estão todos os dias nas escolas públicas do estado, e com um sindicato do jeito que está, sem menor ânimo para se mobilizarem.

A Internacional Underground

A letra da "A Internacional" se encaixa como uma luva no discurso underground contemporâneo.


"A Internacional" em rítmo de Punk Rock (Garotos Podres)

"A Internaciona" na versão RAP (Calibre Forte)

Da Rádio Revolutas






"A Internacional"



De pé ó vítimas da fome

De pé famélicos da terra

Da idéia a chama já consome

A crosta bruta que a soterra

Cortai o mal bem pelo fundo

De pé, de pé, não mais senhores

Se nada somos em tal mundo

Sejamos tudo ó produtores.



Refrão:

Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional



Senhores patrões chefes supremos

Nada esperamos de nenhum

Sejamos nós que conquistemos

A terra mãe livre comum

Para não ter protestos vãos

Para sair deste antro estreito

Façamos com nossas mãos

Tudo o que a nós nos diz respeito.



Refrão



O crime do rico a lei o cobre

O Estado esmaga o oprimido

Não há direito para o pobre

Ao rico tudo é permitido.

À opressão não mais sujeitos

Somos iguais todos os seres

Não mais deveres sem direitos

Não mais direitos sem deveres



Refrão



Abomináveis na grandeza

Os reis da mina e da fornalha

Edificaram a riqueza

Sobre o suor de quem trabalha.

Todo o produto de quem sua

A corja rica o recolheu

Querendo que ele o restitua

O povo quer só o que é seu.



Refrão



Nós fomos de fumo embriagados

Paz entre nós guerra aos senhores

Façamos greve de soldados

Somos irmãos trabalhadores.

Se a raça vil cheia de galas

Nos quer à força canibais

Logo verá que nossas balas

São para os nossos generais



Refrão



Pois somos do povo os ativos

Trabalhador forte e fecundo

Pertence a terra aos produtivos

Ó parasita deixa o mundo.

Ó parasita que te nutres

Do nosso sangue a gotejar

Se nos faltarem os abutres

Não deixa o sol de fulgurar

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Presos Políticos Zapatistas em Greve de Fome


Nas cadeias de Chiapas há cerca de 100 pessoas presas por razões políticas. Há dois anos, partindo da convocatória da Outra Campanha Zapatista, os presos e presas políticas da unidade El Amate, todos e todas indígenas Tzotziles y Tzeltales, se organizaram para exigir a liberdade. A maioria deles integra a organização "Voz del Amate".

No dia 12 de Fevereiro, um preso político iniciou uma greve de fome, em protesto contra o fato do governador de Chiapas ter desmarcado uma reunião na qual iam discutir o caso desses/as presos/as politicos/as. Atualmente, são 22 os que estão em greve de fome, em busca de liberdade incondicional, além de outros 6 que apóiam o jejum de 12 horas diárias.

A solidariedade internacional é fundamental em mais esse momento de repressão a lutadoras e lutadores sociais no México. Toda e qualquer manifestação de apoio será importante para fortalecer a luta por liberdade dos presos políticos em Chiapas.


fonte:CMI
informações sobre os presos:
ENLACE ZAPATISTA

Hio Hop Rio - " O Levante"



"O Levante" é um dos grupos de rap mais críticos do Brasil, em suas letras referências ao desemprego, ao racismo, à Carlos Lamarca, Panteras Negras e etc.
Participaram do encontro de negros e negras da Conlutas em novembro de 2007 , realizado em São Gonçalo -RJ.
Muito bom.

Marcha Mundial da Maconha




AGlobalMarijuana March (GMM) ou Marcha Mundial da Maconha acontece todos os anos desde 1999 e foi criada pela ONG Cures-not-War. Essa iniciativa vem conseguindo estimular ativistas, usuários, estudiosos, políticos e outros interessados no tema, em centenas de cidades ao redor do mundo a promoverem passeatas, manifestações e diversos outros tipos de intervenções culturais, acadêmicas e políticas buscando a criação de espaços para o debate público em torno das legislações e políticas públicas relacionadas à planta Cannabis sativa e seu consumo.

A primeira edição em uma cidade no Brasil ocorreu em 2002, na cidade do Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, ocorreram eventos realizados em Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo, e em 2006 as edições locais da GMM aconteceram também em Curitiba e Florianópolis. No final de 2006, um grupo de indivíduos e organizações passaram a se articular e compuseram o coletivo atualmente denominado Marcha da Maconha Brasil. Esse grupo conta com a participação e o apoio de mais de 13 organizações e coletivos ligados ao tema. Além de serem responsáveis pelas edições do evento em 7 cidades brasileiras em 2007, essa organização possibilitou que os eventos pudessem também contar com discussões acadêmicas além das passeatas. Para 2008, mais de 200 cidades em 5 continentes confirmaram estar organizando eventos ligados à GMM e no Brasil 12 cidades confirmaram participação e foram incluídas na programação (Cuiabá, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, João Pessoa, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Santos). Nessas cidades ocorrerão passeatas, manifestações culturais, exibição de vídeos, debates, palestras e seminários, procurando promover um amplo espaço e democrático para a discussão das políticas sobre drogas no país.

A Marcha da Maconha Brasil não é um evento de cunho apologético, nem seus organizadores incentivam o uso de maconha ou de qualquer outra substância ilícita, ou mesmo a prática de qualquer crime. Procuramos respeitar não só o direito à livre manifestação de idéias e opiniões, mas também os limites legais desse e de outros direitos civis. Essa mensagem serve para informar às autoridades competentes sobre a realização do evento, para que possam ficar informadas a respeito e caso necessitem de maiores informações saibam como contatar os organizadores.

Crimes em Oaxaca

Dia 7 de abril de 2008, no estado Mexicano de Oaxaca, ocorreu o assassinato de duas locutoras de, 21 e 24 anos, da rádio "lá voz que rompe el silencio". Além das mulheres mais algumas crianças ficaram feridas no atentado.
Como no Brasil, a repressão de grupos para-militares age a vontade no México, e com a complacência do estado burguês que nada faz para mudar esse cenário de violência bestial contra a humanidade.

O grupo havia saído para fazer uma reportagem, gravar as pessoas.
Eram comunicadores indígenas que cumpriam um cargo encomendado pelas autoridades comunitárias.

Esparza concluiu expressando que "é uma pena que ninguém tenha atendido as denúncias que vínhamos fazendo sobre a situação crítica que vive a região desde uns cinco meses". Os fatos se somam ao contexto de insegurança e confrontação política que tem caracterizado essa região, logo após que em janeiro de 2007 as autoridades comunitárias e organizações do povo trique, declararam a criação do município autônomo de San Juan Copala, a 350 km da capital do estado. Esse episódio lamentável se soma à grande lista de ataques perpretados contra os/as comunicadores/as em Oaxaca, como resultado das condições de insegurança a qual essas pessoas se vêem obrigadas a exercer a liberdade de expressão e de imprensa. Essa situação se agrava mais ainda quando se trata das rádios comunitárias. Como exemplo, os casos de agressão aos membros da Rádio Nanda e Rádio Calenda, também com sede no estado de Oaxaca, ainda permanecem impunes.
fonte: CMI

Mais um massacre covarde contra camponeses pobres no Brasil

Denúncia gravíssima; Massacre de Camponeses em Rondônia

Na região do município de Campo Novo, em Rondônia, na manhã do dia 9 de abril, camponeses foram massacrados por jagunços encapuzados. Há noticias de mais de 15 camponeses mortos, inclusive uma mulher grávida. Todos pertences dos acampados foram queimados. Jagunços estão impedindo entrada de entidades democráticas no acampamento. Imprensa do latifúndio instigou o massacre e autoridades do governo Cassol são cúmplices.

Contra a criminalização do Movimento Camponês

Reproduzimos nota urgente divulgada pela Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia
DENUNCIA GRAVÍSSIMA
MASSACRE DE CAMPONESES EM

Na manha de hoje,dia 09 de abril, mais de 100 jagunços fortemente armados e encapuzados,invadiram o acampamento conquista da união localizado na br 421 km 140,municipio de campo novo de Rôndonia.
Os jagunços e policiais cercaram o acampamento e foram atirando em todos que ali se encontravam.Segundo informações passadas por um camponês que conseguiu escapar, cerca de 15 pessoas incluindo uma mulher grávida foram assassinadas brutalmente e outras apanhadas como refém.20 motos e todos pertences dos acampados foram queimados.
A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia-LCP- vinha denunciando há várias semanas a preparação de um massacre de camponeses sem-terra naquela região do estado.Toda a campanha orquestrada pela grande imprensa de Rondonia e do país,em especial o jornal Folha de Rondonia e a revista Istoé , em que acusava a lcp e os camponeses daquela região de ser ?guerrilheiros?, ?ligados as farc?,etc, sendo esses mesmos órgãos de imprensa apresentavam os pistoleiros dos latifundiários como ?trabalhadores?.Tudo isso era para tentar justificar este massacre que estava em adiantada preparação conforme denunciamos inúmeras vezes.Esta imprensa é culpada pelo sangue derramado destes camponeses.
Tão logo ocorreu o massacre ligamos para a Policia Federal que disse apenas que isso não era de sua jurisdição e não podia fazer nada.O secretário de segurança pública César Pizzano disse que para ir no local onde estavam os mortos ?precisava de um boletim de ocorrência primeiro??!!.Isso mostra a cumplícidade destes orgãos neste massacre sendo que os mesmos há pouco também acusavam os camponeses de ?guerrilheiros?.
A liga dos camponeses não descansará enquanto os responsáveis por este massacre não forem punidos e a terra destes camponeses não for cortada.

Liga dos Camponeses Pobres de Rôndonia

fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/04/416922.shtml

Os Black Blocks e os Autonomistas europeus.



Por Struggle, um autonomista americano


“Aqueles que possuem autoridade, temem a máscara pelo seu poder em identificar, rotular e catalogar comprometido: em saber quem você é... Nossas máscaras não servem para esconder ou ocultar a nossa identidade, mas para revelá-la... Hoje nós devemos dar um rosto a essa resistência; colocando nossas máscaras mostramos a nossa união; e levantando as nossas vozes nas ruas, nós botamos pra fora toda a raiva contra os poderosos sem rosto...” (Tirado de uma mensagem impressa dentro das 9000 máscaras distribuídas no “Carnaval Anticapitalista” do dia 18 de junho de 1999, que destruiu o distrito financeiro central de Londres).


Nos protestos contra a OMC em Seattle ano passado [1999], havia entre 100 e 300 militantes (anarquistas e outros) vestidos de preto, que literalmente demoliram as vitrines das odiosas corporações multinacionais. Desde então, a tática do Black Bloc vem despertando o interesse e chamando a atenção de diferentes pessoas preocupadas com transformação social. Todos os setores da classe média alta, progressistas e liberais, tem pregado moralmente, à grande distância, sobre como não existe vez para tal comportamento no movimento deles. Ao mesmo tempo, o Black Bloc em Seattle inspirou e renovou o interesse nas táticas militantes, as quais não aceitam autoridade e nem baixam a cabeça perante o seu poder. O Black Bloc N30, junto com muitos outros aspectos dos eventos de Seattle, tem inspirado também anarquistas radicais a parar de se esconder dentro de grupos ativistas liberais com pautas reformistas, e começar a ter mais voz ativa nas suas exigências pela revolução e total transformação social. Além da rápida proliferação de organizações e publicações anarquistas, está clara a evidência do ressurgimento do anarquismo nos EUA, que pode ser vista nos Black Blocs maiores, os quais estavam presentes no dia 16 de abril em Washington DC, na Assembléia Nacional dos Republicanos e Democratas, neste verão. Pra bem ou pra mal, parece que no último ano, o Black Bloc virou uma tradição americana, e tudo começou com aqueles bravos garotos e garotas em Seattle...

Será? De fato, aquele 30 de novembro esteve longe de ser a primeira vez que um grande grupo de radicais vestidos de preto, com máscaras pretas, estiveram prontos para se empenhar na militância com solidariedade e anonimato. O Black Bloc como uma associação pra estratégia em protesto pode ter mais de 20 anos. Sua origem, de fato, vem dos Autônomos europeus, um movimento social radical que não necessariamente se proclamou anarquista, mas muitas das suas táticas e idéias tem se tornado bem apreciadas e adotadas pelos autoproclamados anarquistas.

Sobre autonomia


Autonomia, autônomos, ou autonomistas têm sido os nomes usados por vários movimentos populares de transformação social e contra-cultura na Itália, Alemanha, Dinamarca, Holanda e outras partes da Europa nas últimas três décadas. Todos esses diferentes movimentos têm procurado se opor radicalmente à autoridade, dominação e violência, onde quer que ela exista na vida cotidiana (ou seja, em quase todo lugar). Autonomia, neste caso, não significa um tipo de superioridade complexa regional, ou isolamento, como o nacionalismo, estatismo... Também não significa autonomia individual às custas da maioria, como existe na base do capitalismo. O que os autônomos valorizam e desejam, é a liberdade para os indivíduos que escolheram outros com os quais possa dividir afinidades, e unir-se com eles para sobreviver e preencher todas as necessidades e desejos coletivamente, sem interferência da ganância, indivíduos violentos ou enormes burocracias desumanas.

Os primeiros assim chamados autônomos foram os indivíduos envolvidos no movimento Autonomia Italiana, que começou no quente verão de 1969, uma época de intensa inquietação social. Através da década de 70, um grande movimento pela transformação social total era formado na Itália pelos grupos autônomos de operários, mulheres e estudantes. Capitalistas, sindicatos e a burocracia estatista do Partido Comunista não tinham nada a ver com esse movimento, e de fato, deram duro para reprimi-lo e pará-lo.

Ainda, a estrutura do poder estava, freqüentemente, prejudicada em como lidar com a recusa completa, de vários setores da população, a obedecer às ordens das autoridades. Apesar da rápida proliferação da ação direta, greves moratórias, ocupações de massa, batalhas urbanas, ocupações de universidades e outras ações radicais popularmente apoiadas durante a década de 70, o movimento dos italianos “acalmou-se”. Isto era, em parte, devido aos ataques violentos, prisões e assassinatos de radicais pela polícia e pelo aparato centralizador do Partido Comunista. Ao mesmo tempo, a reação à esta escala de violência estatal era, freqüentemente, a escolha do terrorismo pelos grupos de guerrilha urbana radical. O terrorismo, mesmo em autodefesa, muitas vezes serviu para afastar as pessoas do movimento público de transformação social. Alguns escolheram se tornar mais militantes e reservados enquanto outros abandonaram a política, para viver uma aparente pacífica vida de obediência à autoridade.

Construindo o poder de enfrentamento revolucionário - A cultura dos autônomos


Apesar do potencial revolucionário do Autonomia Italiana de 70 ter sucumbido, sua agitação, confiança e “atrevimento” serviram de inspiração para os jovens da Alemanha Ocidental de 1980. Inspirados também pelo movimento squatter de Amsterdam e as organizações jovens na Suíça, Alemanha e outras cidades maiores, começaram a formar a sua própria cultura autônoma com grupos sociais baseados na resistência radical e formas de vida alternativas. A direção e a composição da organização radical na Alemanha Ocidental de 1980 era em parte determinado pelo domínio da recessão econômica e os caminho que ela seguiu. Por causa das conexões bem-estabelecidas entre os industriais e o governo alemão, os efeitos da recessão não foram tão sentidos pelos blue collar workers, mas pelos jovens que acharam impossível assegurar trabalho e moradia, e, que antes haviam se mudado da casa dos pais e se tornaram economicamente e socialmente “independentes”.

Conseqüentemente, os motivos para a mobilização da juventude autônoma incluíram abalar o conformismo da sociedade rural alemã e da família nuclear, sérias deficiências domésticas, alto desemprego – bem como o status ilegal de aborto e planos governamentais para a expansão massiva do poder nuclear. Como resultado da recessão econômica e visitas aos subúrbios, no fim de 1970, enormes regiões prediais residenciais, em diferentes cidades interioranas alemãs, especialmente na Alemanha Ocidental, foram abandonadas pelos empreendedores e as agências do governo. Ocupar esses prédios era uma opção viável para os jovens empobrecidos que procuravam independência da casa da família nuclear. Comunidades squatters cresceram na vizinhança de Kreusberg, em Berlim; os squats de Haffenstrasse, em Hamburgo; e em outros pontos de concentração. A pedra angular dessas comunidades era a vida em comum, e a criação de centros sociais radicais: infoshops, livrarias, cafeterias, lugares de encontro, bares, galerias de arte, e outros espaços multivalentes, onde as raízes políticas artísticas e culturais são desenvolvidas como uma alternativa para a vida da família nuclear, utopias de TV, e “cultura” pop de massa. Desses espaços sociais seguros, cresceram maiores iniciativas radicais para lutar contra o poder nuclear, ou centralizador; destruir a sociedade patriarcal e os papéis de gênero; mostrar solidariedade com os oprimidos do mundo atacando corporações multinacionais européias ou instituições financeiras como o Banco Mundial; e depois da reunificação alemã, lutar contra o crescente neonazismo.

Iniciativas semelhantes para uma vida alternativa como resistência estavam acontecendo nos anos 80 (e em alguns lugares, bem antes) na Holanda, Dinamarca, e qualquer lugar da Europa Setentrional. Eventualmente, todas essas vivências norte-européias em grupos sociais descentralizados, os quais estavam dedicados a criar uma sociedade não-coercitiva e anti-hierárquica, tornaram-se rotulados como “autônomas”. Com o tempo, as idéias e táticas autonomistas também migraram através da reunida Cortina de Ferro européia. Eu, pessoalmente, tenho visitado centros sociais autônomos radicais na Inglaterra, Espanha, Itália, Croácia, Eslovênia e República Tcheca.

Repressão linha dura, resistência militante e o Black Block


Desde o começo, a Alemanha Ocidental não encarou bem os jovens autônomos, quer quando eles estavam ocupando usinas nucleares ou prédios desabitados. No inverno de 1980, o governo da cidade de Berlim decidiu reprimir duramente os milhares de jovens squatters pela cidade: eles decidiram incriminá-los, atacá-los e despejá-los nas ruas geladas do inverno. Essa foi uma ação muito mais chocante e diferente na Alemanha, do que seria nos EUA, e teve como resultado o repúdio e condenação da polícia e do governo pela opinião pública. De 1980 em diante, houve um ciclo crescente de prisões em massa, batalhas urbanas, e novas ocupações em Berlim e no resto da Alemanha. Os autônomos não estavam assustados, e cada despejo era respondido como novas ocupações. Quando os squatters de Freiburg foram presos, passeatas e manifestações os apoiaram, e, condenaram a política de despejo da polícia estatal, em quase todas as grandes cidades do país. Naquele dia, em Berlim, posteriormente chamado “sexta-feira negra”, 15.000 a 20.000 pessoas tomaram as ruas e destruíram uma área de consumo da classe média alta. Esse era o caldeirão fervente de opressão e resistência, do qual o Black Bloc surgiu...

Em 1981, o governo alemão começou a legalizar certo squats, numa tentativa de dividir a contra-cultura e marginalizar os segmentos mais radicais. Mas, essas táticas eram lentas demais para pacificar o movimento popular radical – especialmente, desde 1980-81. Não só se havia visto tamanha brutalidade contra os squatters, mas, além disso, a maior mobilização policial da Alemanha desde o III Reich, com o objetivo de atacar manifestantes não-violentos na “livre república de Wendland”, um acampamento de 5.000 ativistas que bloqueavam a construção da usina Gorlebein de lixo nuclear. Mesmo anteriormente, ardentes pacifistas haviam sido radicalizados pela experiência da violenta repressão policial contra diversos squats e ocupações.

Em resposta à violenta repressão estatal, os ativistas desenvolveram a tática do Black Bloc: eles foram protestar e marchar, usando capacetes pretos de motoqueiros, máscaras de esqui, e vestindo-se de preto (ou, para os mais preparados, estofamento de espuma e botas com ponta de aço, carregando seus próprios escudos). No Black Bloc, os autônomos e outros radicais poderiam se defender ou desviar, mais eficientemente, dos ataques policiais; sem serem reconhecidos como indivíduos, evitando prisões e batidas posteriores. E, como todos rapidamente perceberam, ter um grupo grande de pessoas, todas vestidas com a mesma cor de roupa, com os rostos cobertos, não só ajuda a escapar da polícia, mas também deixa mais fácil a tarefa dos sabotadores em destruir vitrines, bancos, e muitos outros símbolos materiais do poder do capitali$mo e do Estado. Nesse sentido, o Black Bloc é uma forma de militância que alivia a problemática entre desobediência civil não-violenta e, sabotagem e “terrorismo” guerrilheiro.

Realizações do Black Bloc e da resistência autônoma


Black Blocs, militância autônoma e resistência popular ao Estado-polícia e à Nova Ordem Mundial se espalharam entre os europeus nos anos 80. Apesar dos radicais holandeses não se intitularem autônomos desde o começo (até 1986), os ativistas contraculturais holandeses dividiram táticas, organizaram estruturas e militâncias com os auto-proclamados Autônomos. O movimento squatter da Holanda realmente começou em 1968, e por volta de 1981, mais de 1000 casas e apartamentos foram ocupados em Amsterdam, e havia por volta de 15000 squats no resto do país. Restaurantes, bares, cafés e centros de informação ocupados eram lugar comum, e os organizados squatters (costumeiramente chamado kraakers) tinham seu próprio conselho para planejar a direção do movimento e sua própria estação de rádio. Contudo, mesmo quando alguns autônomos holandeses se recusaram a usar máscaras de esqui enquanto estavam no Black Bloc, isso não quer dizer que o movimento deixou de ser militante. Um livro sobre o movimento squatter holandês mostra que “desde o início havia existido uma ‘brigada de capacetes pretos’, a qual parecia ter entrado numa batalha”. Batalhas nos despejos dos squats de Amsterdam, freqüentemente, mostravam a construção de enormes barricadas e, squatters encurralados arremessando mobília e outros projéteis, de vários tamanhos e formatos, pelas janelas, visando abater a polícia. Nos anos iniciais, existiam certos limites para o uso da violência, a qual os squatters usariam para retaliar os ataques policiais. De qualquer maneira, em 1985, quando um squatter chamado Hans Kok morreu sob custódia policial, ao ser preso durante um brutal despejo e evacuação, os limites foram superados. Seguindo as notícias de sua morte, uma noite de ávida destruição reinou em Amsterdam, e mesmo carros da polícia foram queimados em frente de vários distritos. Um squatter disse:

“Todos tinham a idéia, agora nós usaremos dos últimos meios, apenas antes das armas mesmo: Molotovs... todos caminhavam com molotovs em seus bolsos, todos tinham garrafas cheias com gasolina... Era o novo método de ação direta”.

Apesar da morte de Hans Kok e da resposta á altura terem tido um efeito negativo sobre o movimento, a nova estratégia se mostrou útil em alguns meios ativistas. Em 1985, o grupo holandês Ação Anti-racista (RARA), fez uma campanha bem-sucedida forçando a rede de supermercados holandeses MARKO a sair da África do Sul: a campanha foi realizada através de numerosos bombardeios, extremamente caros e danosos para as lojas e escritórios da MARKO.

Na Alemanha, em 1986, crescentes ataques policiais e tentativas de despejo, contra um complexo de casas ocupadas em Hamburgo, chamada Haffenstrasse, foram recebidas pela contra-ofensiva marcha de 10000 pessoas, entre elas, no mínimo, 1500 do Black Bloc, carregando uma faixa enorme que dizia: “Construa o poder de enfrentamento revolucionário!”. No fim da passeata, o Black Bloc foi capaz de levar a cabo vitoriosamente uma batalha de rua, na qual a polícia bateu em retirada. No dia seguinte, 13 lojas de departamentos foram queimadas, causando um prejuízo de $10 milhõe$ de dólare$. Naquele mesmo ano, o desastre de Chernobyl trouxe uma nova onda de manifestações contra a construção de novas usinas nucleares na Alemanha. Um relato dessas manifestações antinuclear mostrou: “essas cenas lembram uma ‘guerra civil’; capacetes, Autônomos e anarquistas armados com estilingues, molotovs e maçaricos colidiram brutalmente com a polícia, a qual usou canhões d’água, helicópteros e gás CS (oficialmente banido para uso em civis)”. Em junho de 1987, quando Ronald Reagan foi à Berlim, cerca de 50000 pessoas se manifestaram contra a Guerra Fria, incluindo 3000 pessoas do Black Bloc. Um par de meses depois, os ataques policiais à Haffenstrasse se intensificaram novamente. Em novembro de 1987, moradores e milhares de outros autônomos fortificaram o complexo, construíram barricadas nas ruas e lutaram contra a polícia cerca de 24 horas. No fim, a cidade decidiu legalizar as residências ocupadas.

Mais de 10 anos antes de Seattle e o protesto contra a OMC, os autônomos mobilizaram um evento semelhante com um grande grupo de resistentes. Em setembro de 1988, o Banco Mundial e o FMI se encontraram em Berlim. Os autônomos se valeram deste encontro como foco para a resistência mundial contra o capitali$mo corporativo globalizante e, contra a destruição governamental de bases autônomas e comunitárias. Milhares de ativistas de toda a Europa e EUA foram mobilizados, e 80000 manifestantes foram “encontrar” os banqueiros (no mínimo, 30000 a mais que Seattle). A polícia, completamente superada em número, e a segurança privada do evento tentaram manter a “ordem” banindo todos os manifestantes e atacando brutalmente qualquer assembléia pública, mas as revoltas ainda estraçalharam os centros consumistas de classe média (já era tradição).

Black Blocs pré-Seattle


Em novembro de 1999, a tática do Black Bloc parecia nova para muitos americanos porque, em parte, as ações e as idéias do movimento autônomo europeu eram obscurecidas ou ignoradas pela mídia americana e quase nem foram divulgadas. Contudo, a ignorância pelo Black Bloc também provém do fato que muitos americanos recebem notícias de acontecimentos regionais de uma mídia manipuladora, a qual ignora quaisquer acontecimento que não servem para os seus propósitos, apresentando qualquer evento que tom o lugar como um espetáculo singular, desconectado do passado e do futuro, a ser esquecido em pouco tempo, mesmo se aconteceu recentemente. Radicais nos EUA nunca foram totalmente ignorantes a respeito das idéias e ações dos autônomos europeus, e o desenvolvimento da sub-cultura punk/hardcore, dos anos 80, nos EUA, se espelhou na cultura autônoma. Desde o começo de 1990, anarquistas e outros radicais nos EUA, estavam usando máscaras nas passeatas e protestos, criando laços de solidariedade entre os manifestantes e o anonimato perante as autoridades. Enquanto durava a Guerra do Golfo, um protesto nas ruas de Washington, D.C., incluiu o Black Bloc, que quebrou as vidraças do prédio do Banco Mundial. Naquele mesmo ano, no Columbus Day, em São Francisco, um Black Bloc apareceu para mostrar à resistência militante o contínuo genocídio da dominação norte-americana pelos europeus. Pessoalmente, o maior Black Bloc que eu já vi foi no M4M (Millions For Mumia), na Filadélfia, em abril de 1999. Eu diria que havia, no mínimo, 1500 vestidos de preto, mascarados e carregando faixas como: “Vegans por Mumia”. Apesar de não ter acontecido nenhuma batalha de rua e, particularmente, nenhuma destruição de propriedade privada, alguns garotos entraram em um estacionamento, ao longo da passeata, e subiram no teto, agitando a bandeira negra.

O futuro global da máscara preta


O símbolo do militante autônomo mascarado se espalhou pelo terceiro mundo. Ao mesmo tempo em que o NAFTA, política econômica destrutiva neoliberal foi declarado, no dia 1º de janeiro de 1994, a revolta guerrilheira explodiu em Chiapas, um estado do sul do México. O levante procurava criar espaços, para o desenvolvimento de uma organização social autônoma entre a marginalizada população indígena. A ala armada dessa luta pela autonomia comunitária e a democracia direta sem coerção ou hierarquia, tem sido e continua sendo, os zapatistas, homens e mulheres que usam máscaras negras sempre que aparecem em público. Muitos autônomos e anarquistas têm os visitado e tentado ajudá-los com conhecimento, dinheiro, materiais, e criando solidariedade e atenção internacional para a situação em Chiapas. Voltando a Alemanha, os Autônomos passam por tempos difíceis. Dizem por aí que os squatters anteriores tomavam conta de, no mínimo, 165 grandes apartamentos na Alemanha Ocidental, mas até 1997, sobraram apenas três apartamentos. Legalizar alguns squats enquanto brutalmente despejavam outros, funcionou como política eficiente para o Estado-polícia. Muitas pessoas que vivem em squats legalizados estão impedidos de virar o jogo, encorajando e expressando solidariedade com estratégias praticadas por outros squatters, e essa marginalização deixa mais fácil a derrota squatter, nas batalhas urbanas, pelas crescentes forças policiais.

O ressurgimento do neonazismo, no que um dia foi Alemanha Ocidental, e em outras áreas do país significou maiores problemas para os autônomos alemães. Eles enfrentam a violência e o assassinato de ataques neonazistas, onde essas gangues policiam as ruas como uma “tropa contra punks e imigrantes”. A maior parte do tempo e esforço dos autônomos, vai para a organização de ações e grupos antifascistas, mas isso também significa negligenciar as tarefas para o desenvolvimento de alternativas para uma sociedade antiautoritária, um dos objetivos originais dos Autônomos. “Antifa”, ou grupos antifascistas, levam os autônomos a confrontos ainda mais violentos com a polícia alemã, que basicamente apóia os grupos neonazistas e sua ideologia nacionalista, racista – isso quando oficiais da polícia não estão diretamente ligados a grupos fascistas. Rumores dizem que muitos militantes na Europa Setentrional, onde o Black Bloc têm sido uma estratégia de manifestação comum, têm desistido, porque paravam de atingir seu objetivo. O poder de repressão estatal tem desenvolvido e usado forças tecnológicas, legais e físicas ainda maiores para isolar, observar, perseguir e localizar os envolvidos com os Black Blocs. Um processo semelhante está acontecendo nos EUA, com o ressurgimento das táticas ao estilo COINTELPRO, tendo como alvo os radicais que se opõe ao império estatal americano de capitali$mo globalizante.

Mesmo que o Black Bloc continue como estratégia, ou seja, abandonado, certamente, serviu ao seu propósito. Em certas épocas e lugares, o Black Bloc efetivamente, levou as pessoas a agir em solidariedade coletiva contra a violência do capitalismo e do Estado. É importante que nós não fiquemos presos à nostalgia como um ritual ou uma tradição ultrapassada, nem rejeitar tudo porque, ás vezes, parece inapropriado. Em vez disso, devíamos continuar lutando pragmaticamente (e teoricamente), para preencher nossas necessidades e desejos individuais através de várias táticas e objetivos, quando elas forem apropriadas ao momento específico. “Disfarçar-se” como um Black Bloc tem sua hora e seu lugar, assim como as outras estratégias que se confrontam com ela...


Trecho do livro URGÊNCIA DAS RUAS, de Ned Ludd (org.), um livro da Coleção Baderna, sobre o “Black block, reclaim the streets” e os dias de ação global. Para acessar o livro na íntegra clique aqui!

sábado, 1 de setembro de 2007

GOG e um Sonho Real


GOG é um dos mais politizados rappers do Brasil, suas letras relatam a realidade do capitalismo "a burguesia dormia enquanto a periferia crescia, crescia". Prega uma nova postura entre os excluídos, uma nova malandragem, que valoriza a vida e a transformação do indivíduo
" a verdadeira malandragem vale mesmo ouro, procurada nos bares, nos bailes, em vários lugares... até que um dia a vida mostra prá você que a malandragem de verdade é viver". Também já mirou contra o governo Collor "todos em frente todos ao ataque, é chegada a hora de mostrarmos quem nós somos e dizermos de uma vêz, estamos vivos cremos nisso, não seremos eternos submissos...todos em frente, todos ao ataque!" ...e contra FHC também "Heliopolis queimou de ponta a ponta, não consolou nenhuma família e socorreu os bancos".
Neste vídeo Gog fala sobre a Ocupação Sonho Real e toda ação massacrante do governo de Goias (Íris Rezende e Marconi Perillo (PMDB/PSDB)), da polícia e até do Exército contra famílias de trabalhadores que não tem direito ao teto, isso em um dos países mais "felizes do mundo"...e o terreno da ocupação depois de mortos e feridos vai virar um Shopping !
Veja o Clip aqui: http://youtube.com/watch?v=SuKBHTBaioI

sábado, 18 de agosto de 2007

+ LATUFF
























































Os cartuns militantes de Latuff











quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Latuff, um libertário perseguido.



















Reconhecido internacionalmente, o cartunista carioca Carlos Latuff vem sofrendo perseguição politica devido a sua arte- militância que critica a violência do governo brasileiro contra os exlcluídos(foi intimado a depor na polícia porque criticou o grande aparato policial durante os jogos pan americanos), assim como a ocupação do Iraque e a repressão e perseguição dos israelenses contra o povo palestino (órgãos políticos conservadores de Israel também se declararam contra o cartunista brasileiro).





quarta-feira, 8 de agosto de 2007



EM 24 DE AGOSTO, A EDUCAÇÃO VAI PARAR!
Nos últimos 20 anos, nossa escola pública nunca esteve no centro das prioridades dos governos que passaram por este Estado. A violência, a desvalorização dos profissionais, o desrespeito que os atingem constantemente e a falta de infra-estrutura são frutos de sucessivas políticas equivocadas.
Reajuste já!
Os trabalhadores em Educação estão há dois anos sem reajuste. A política de gratificações, bônus e abonos continua prejudicando os profissionais. A data-base do funcionalismo é 1º de março, mas até agora o governo não acenou com qualquer proposta ou mesmo abriu negociações. As salas de aula continuam superlotadas e a grande maioria das escolas continua sem infra-estrutura.
SOS Educação!
Somente com união e mobilização podemos pressionar o governo do Estado e reverter o atual quadro. Vamos exigir o atendimento da nossa pauta: reajuste salarial; respeito à data-base; piso salarial do DIEESE (R$ 1626,56 em junho); extensão e incorporação das gratificações e bônus com extensão aos aposentados; máximo de 35 alunos; entre outros pontos.
Em 24 de agosto, a Educação vai parar para exigir do governo o atendimento da pauta conjunta em defesa da escola pública e pela valorização dos profissionais. Sua participação é imprescindível!
DIA 24 DE AGOSTO – 13 HORAS – PRAÇA DA SÉ
PARALISEM AS ATIVIDADES E PARTICIPEM DA LUTA EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA!

sexta-feira, 27 de julho de 2007

zumbi ataca



A CONAQ - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas se prepara para realizar no próximo dia 5 de outubro um ato para questionar o papel das concessões públicas de televisão e o oligopólio das comunicações no país. O principal alvo da manifestação é a Rede Globo de Televisão, acusada de criminalizar e deslegitimar o movimento dos quilombolas. O ato pretende agregar outras entidades e movimentos sociais, e a idéia é que nesse dia haja um boicote à programação da Globo e que se realizem atividades nos quilombos sobre análise de mídia. Outras organizações que defendem a democratização da comunicação planejam manifestações para o mesmo dia para reivindicar transparência na outorga e renovação das concessões de rádio e televisão. A data foi escolhida pelas entidades pois nesse dia vencem as concessões da Rede Globo, TV Bandeirantes e TV Record.
CARTA CONVOCATÓRIA -
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas - CONAQ, entidade representativa das comunidades quilombolas de todos os estados da Federação, convoca todas as entidades e movimentos sociais para construir o Dia Nacional de Repúdio à Emissora Rede Globo de Televisão.
A nossa proposta é que o próximo dia 05 de outubro de 2007 fique marcado pela manifestação "GLOBO, A GENTE NÃO SE VER POR AQUI!", que irá expressar a indignação dos movimentos sociais criminalizados, direto ou indiretamente, por essa emissora. Nós, quilombolas, estamos vivenciando, como outros movimentos, de uma investida da REDE GLOBO com matérias que negam a nossa identidade étnica e contra o decreto 4887/03, que regulamenta o processo de titulação dos territórios de quilombos. Questionamos: . O jornalismo da Rede Globo, pois possui uma postura tendenciosa a serviço das oligarquias, cujos interesses sempre entram em conflito com os interesses das classes populares; . A formação da opinião pública dessa mídia, já que essas matérias acabam contribuindo para um maior desconhecimento da luta dos quilombolas e de outras lutas, desarticulando os diversos movimentos; . O ineficiente controle que todos os poderes públicos e sociedade possuem em relação a esta emissora, já que não se sabe quando se renova as suas concessões, não há fiscalização se os Direitos de Respostas são cumpridos, não há punições em relação às distorções cometidas, entre outras. Sugerimos que neste dia (05 de outubro) sejam realizadas atividades, nas quais se discutam sobre o papel da Rede Globo na sociedade brasileira, analisando como essa emissora desrespeita a diversidade dos movimentos sociais e de entidades. A nossa postura política representa um ato de repúdio ao abuso de um grupo de mídia privado que se utiliza da concessão pública para descredibilizar aqueles e aquelas, que há mais de 500 anos, constroem a história desse país. Contamos com a sua adesão.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Em maio de 2007


Na manhã do dia 4 de maio, um grupo de moradores do conjunto habitacional e da favela Chácara Bela Vista, em São Paulo, SP, ateou fogo em pneus, interditando a marginal Tietê, que dá acesso à rodovia Ayrton Senna. Os moradores, de forma espontânea, protestavam contra as agressões diárias praticadas pela polícia contra a comunidade.O protesto foi selvagemente reprimido, com bombas de efeito moral, balas de borracha e gás lacrimogêneo. Alguns tentavam revidar os ataques com pedras, protagonizando cenas mais parecidas com a resistência palestina contra o massacre de Israel.Depoimentos dos moradores dão conta que a PM invade a favela e espanca indiscriminadamente a população. Uma mulher grávida afirma ter perdido o filho em razão das agressões. A polícia ainda se recusa a socorrer os feridos. Uma das policiais mais violentas que atua na área tem a singela alcunha de “Kate Mahoney”, personagem da série de TV dos anos 80 chamada “Dama de Ouro”. A policial teria chegado a cortar a orelha de uma criança na favela. “Ela gosta de surrar trabalhador, não respeita ninguém”, denunciou um morador ao jornal Diário de S. Paulo.A pista foi liberada após a PM ter prometido investigar as denúncias de abuso. No entanto, a violência continuou e os moradores voltaram a fechar o trânsito no início da noite. Porém, ao invés de negociação, a tropa de choque foi enviada para reprimir novamente os moradores. Desta vez, os policiais não ficaram satisfeitos em dispersar com a força o protesto. A tropa de choque invadiu o conjunto habitacional, espalhando o pânico entre a população pobre do bairro.A favela ficou ocupada e a marginal cercada por viaturas da polícia durante a madrugada e todo o dia seguinte, a fim de impedir novas manifestações.

do manifesto cyberpunk


II. Sociedad
1/ La sociedad la que nos rodea está atascada en el conservadorismo y en el "todo para ellos", mientras se hunde lentemente en las arenas movedizas del tiempo. 2/ Sin embargo, algunos obstinados rehusan a creer esto, lo obvio es que vivimos en una sociedad podrida. Las llamadas reformas que nuestros gobiernos utilizan para enorgullecerse, no son más que un pequeño paso adelante, que podrían ser hechas más satisfactoriamente con un salto. 3/ La gente teme lo nuevo y lo desconocido. Ellos prefieren lo antiguo, lo conocido y lo que ellos mismos han comprobado. Ellos temen lo que lo nuevo pueda acaecerles. Ellos temen perder lo que ya tienen. 4/ Su temor es tan fuerte que esto es proclamado enemigo revolucionario e idea liberal- es un arma. Este es su error. 5/ Las personas deben dejar sus temores atrás y seguir adelante. En el sentido de que lo poco que ahora tengas podrá multiplicarse en el mañana. Todo lo que ellos tienen que hacer es cerrar sus puños y sentir lo nuevo; dar libertad a los pensamientos, ideas, a las palabras: 6/ Durante siglos las generaciones han sido educadas de una misma manera. Los ideales son lo que todos buscan. Se olvida la individualidad. La gente piensa de una misma forma, siguiendo un modelo impuesto en ellos desde su juventud, la "educación-modelo" para todos los niños : y, cuando alguno se atreve desafiar la autoridad, es castigado. " Esto es lo que pasa cuando expresas tu propia opinión y esta es diferente a la del profesor ". 7/ Nuestra sociedad está enferma y necesita ser curada. La cura es un cambio en el sistema....
III. El Sistema
1/ El Sistema. Con siglos de antiguedad, basada en principios que no son validos actuálmente. Un sistema que no ha cambiado mucho desde su nacimiento. 2/ El Sistema está equivocado. 3/ El Sistema debe imponer su verdad sobre la nuestra para poder mandar. El gobierno necesita que nosotros la sigamos ciegamente. Por esta razón, vivimos en un eclipse informativo. Cuando las personas adquieren más información de la que da el gobierno, no pueden distiguir cuál es correcta y cuál no. Así que la mentira se hace verdad- una verdad, fundamental para todo lo demás. Así los líderes controlan con mentiras a la gente ordinaria que carecen de la noción de cual es la verdad y ciegamente siguen al gobierno, creyéndolos. 4/ Nosotros luchamos para liberar la información. Nosotros combatimos por la libertad de expresión y de prensa. Por la libertad de expresar nuestros pensamientos libremente, sin ser perseguidos por el Sistema. 5/ Incluso en los países más democráticos y desarrollados que pretenden ser la cuna de la libertad de expresión. La mala información es una de las principales armas del Sistema. Un arma que ellos dominan muy bien. 6/ La Red es la que nosayuda a expandir nuestros pensamientos libremente. La Red sin barreras ni limites de información. 7/ Lo nuestro es tuyo, lo tuyo es nuestro. 8/ Todo el mundo puede compartir la información, sin restricciones. 9/ La encriptación de información es nuestra arma. Así las palabras de la revolución pueden expandirse ininterrumpidamente, y el gobierno sólo puede intentar adivinar. 10/ La Red es nuestra esencia, en la Red somos los reyes. 11/ Leyes. El mundo está cambiando, pero las leyes son las mismas. El Sistema no está cambiando, sólo unos pocos rasgos para revestirse a los nuevos tiempos, pero en el fondo es todo lo mismo. 12/ Nosotros necesitamos nuevas leyes. Leyes, que se ajusten a los tiempos en que vivimos, con el mundo que nos rodea. No leyes construidas en las bases del pasado. Leyes, para hoy, leyes, que se ajusten al mañana. 13/ Las leyes que sólo se refieren a nosotros. Leyes que desesperadamente necesitan revisión.
IV. La Visión
1/ A algunas personas no les importa lo que sucede en el mundo. A ellos les importa lo que suceden en su alrededor, en su micro-universo. 2/ Estas personas sólo pueden ver un futuro oscuro, porque ellos sólo ven la vida de ellos mismos ahora. 3/ Otras personas, se muestran más concienciadas en lo que ocurra globalmente. Ellos están interesados en todo, en la perspectiva del futuro, en lo que va a pasar en el mundo. 4/ Ellos tienen una actitud más optimista. Para ellos el futuro es limpio y más bonito, pueden ver en esto a un hombre más maduro en un mundo más amplio. 5/ Nosotros estamos en el medio. Estamos interesados en lo que ocurre ahora y en lo que va a ocurrir el día de mañana. 6/ Observamos la Red, y la Red esta creciendo y haciendose más amplia. 7/ Pronto todo en este mundo será absorvido por la Red: desde los sistemas militares hasta el PC de casa. 8/ Pero la Red es la casa de la Anarquía. 9/ No puede ser controlada y en eso radica su poder. 10/ Cada hombre será independiente en la Red. 11/ Toda la información estará aquí, cerrada en el abismo de ceros y unos. 12/ El que controla la Red, controla la información. 13/ Vivimos en una mezcla del pasado y el presente. 14/ El mal proviene del hombre y el bien de la tecnología. 15/ La Red controlará al pequeño individuo y nosotros controlaremos la Red. 16/ Pero, si tu no controlas, serás controlado. 17/ La información es el PODER!
V. ¿ Dónde estamos ?
1/ ¿Dónde estamos? 2/ Todos nosotros vivimos en un mundo enfermo, donde el odio es un arma y la paz un sueño. 3/ El mundo crece lentamente. Es difícil para un cyberpunk vivir en un mundo subdesarrollado, con gente alrededor suya que observan su fuerte desarrollo 4/ Nosotros vamos hacia adelante, y ellos nos empujan hacia atrás. La sociedad nos suprime. Sí, suprimen la libertad de pensamiento. Con crueles programas de educación en colegios y universidades. Machacan a los niños con sus puntos de vista y castigan y niegan todo intento diferente. 5/ Nuestros hijos crecen educados en este viejo y aún no cambiado sistema. Un sistema que no tolera la libertad de pensamiento y demanda una estricta obediencia a las reglas... 6/ Viviríamos en un mundo muy distinto de este si las personas hicieran escalones y no huecos. 7/ Es difícil vivir en este mundo, cyberpunk. 8/ Es como si se hubiera detenido el tiempo. 9/ Vivimos en el lugar correcto pero no en el tiempo correcto. 10/ Todo es tan ordinario, la gente es la misma, sus actos también lo son. Como si la sociedad sintiera una necesitad intensa de vivir atrás en el tiempo. 11/ Algunos intentan encontrar su propio mundo, el mundo Cyberpunk, y encontrándolo, construyen su mundo. Construyen sus pensamientos que cambian la realidad, se entregan a estos y viven en un mundo virtual. Los inventos, crean la realidad : 12/ Otros, en cambio, se acostumbran el mundo tal y como es. Ellos siguen viviendo en el, aunque no les guste. Ellos no tienen otra elección que esperar que el mundo se mantenga bien y siga hacia adelante 13/ Lo que intentamos hacer es cambiar la situación. Estamos intentando ajustar el mundo presente a nuestras necesidades y visiones. Para adecuarlo a su máxima función y olvidar la basura. Cuando nosotros no podemos, simplemente vivimos en este mundo, como los cyberpunks, no importa lo difícil que sea, cuando luche la sociedad nosotros los contrarrestaremos. 14/ Nosotros contruimos nuestros mundos en el Ciberespacio. 15/ Un montón de ceros y unos, un montón de bits de información. 16/ Construimos nuestra comunidad. La comunidad de los CYBERPUNKS.
¡Unidos! Luchemos por nuestros derechos
Somos las mentes electronicas, un grupo de rebeldes de pensamientos libres. Cyberpunks.
Vivimos en el Ciberespacio, estamos en todos lugares, no tenemos límites.
Este es nuestro manifiesto.

El manifiesto cyberpunk.
14 de Febrero de 1997

domingo, 22 de julho de 2007

Povos Zapatistas + Povos do Mundo


Cerca de três mil pessoas, entre indígenas zapatistas e movimentos de mais de 40 países, incluindo o MST, participaram hoje da reunião de boas-vindas nas montanhas de Chiapas, no sudeste mexicano, para trocar experiências de suas lutas anticapitalistas.
Acompanhados pelo subcomandante Marcos, os principais comandantes da guerrilha zapatista convidaram os três mil participantes a conviver durante uma semana com os povos autônomos para conhecer o sistema de organização que é mantido à margem do Governo mexicano há 14 anos.
"Estamos convencidos de que o único caminho que temos é a unidade, a organização e a irmanação de nossas lutas para construir um mundo onde tenhamos uma vida mais justa e humana", disse no discurso de boas-vindas a comandante Hortência, de origem tseltal, que estava com o rosto coberto.
Esta reunião, denominada "Encontro dos Povos Zapatistas com os Povos do Mundo", acontecerá em três das fortificações zapatistas localizadas nas regiões Altos, Selva e Frontera, que serão visitadas pelos ativistas estrangeiros no transcurso da semana.
O encontro de Oventik terminou neste sábado à noite com uma festa popular, e no domingo os presentes viajarão à localidade de Morelia, no município de Altamirano, para começar na segunda-feira a segunda fase da reunião.
Embora uma boa parte dos presentes voltasse seus olhares e câmaras para a popular figura do subcomandante Marcos, foram os indígenas, integrantes da juntas de Governo rebeldes, que explicaram como será o trabalho nas mesas de reflexão nas quais serão conhecidas suas experiências para resolver os problemas cotidianos de seus povos, especialmente sobre a saúde e a educação.
O comandante "Moisés" explicou que as autoridades mexicanas utilizam os serviços públicos de saúde "para dividir e desorientar a população".
Uma comissão de indígenas encarregada da educação informou que mais de 60 escolas dividem a educação primária nos territórios rebeldes com matérias de acordo com a cultura de cada povo indígena.
Entre os participantes estão diversos líderes como Soraia Soriano, do MST; Tsirisoa Rakotonimaro, da Confederação Camponesa de Madagascar; Dong Uk Min, da Liga Camponesa da Coréia; e George Naylor, da Coalizão Nacional de Agricultores Familiares (NFFC) dos EUA.
O encerramento do encontro está programado para 28 de julho na comunidade de La Realidad, no coração da floresta Lacandona.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

México em Transe: Repressão Violenta em Oaxaca


Na manhã dessa segunda-feira, 16, a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca,(APPO), deu continuidade nas atividades da Guelaguetza popular, iniciadas no dia 12 de Julho. Após a marcha sair do centro da cidade e chegar próxima da "celebração oficial", organizada pelo governador Ulises Ruiz Ortiz, os participantes foram reprimidos com brutalidade por diversas forças policiais.
Segundo o comunicado da APPO, a repressão começou depois que agentes da polícia começaram a provocar o movimento, gerando um conflito. O magisteriado e os membros da APPO reagiram ao ataque policial. A repressão teve um saldo de ao menos 46 feridos, 62 detidos e 1 morto pelo impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo.
mais informações no
cyberativismo
Mandar e-mails de protesto para (ou seja, entupa as caixas de mensagens destes email s!):)

sábado, 14 de julho de 2007

O Exército Popular Revolucionário ataca os interesses Neoliberais no México


O Exército Popular Revolucionário, (de orientação bolchevique-maoísta), dos Estados de Oaxaca e Guerrero, no sul, assumiu a responsabilidade pelas explosões contra as instalações da multinacional mexicana de petróleo "Pemex", como parte de uma "campanha nacional contra os interesses da oligarquia e do governo ilegítimo", segundo um comunicado do grupo.
A guerrilha explicou que três pelotões, apoiados por milícias populares, realizaram as sabotagens, para chamar a atenção do presidente mexicano, Felipe Calderón, e do governador de Oaxaca, Ulises Ruíz.
O EPR assumiu a autoria das explosões registradas hoje e na semana passada em instalações da empresa. Em comunicado divulgado, o autodenominado "comando militar" da organização disse que iniciou uma "campanha nacional de fustigação contra os interesses da oligarquia e deste governo ilegítimo". As instalações da Pemex em Querétaro sofreram grandes explosões(10/7/2007), que se somaram às ocorridas na semana passada em Celaya e em outros municípios do Estado de Guanajuato, no centro do México.
O EPR surgiu de uma dissidência da EZLN em 1996, os dois grupos não seguem a mesma linha(porém se respeitam), o primeiro é bolchevique/maoísta e o segundo está voltado para a democracia direta e a cultura indígena. O Exercito Popular Revolucionário busca a tomada do poder estatal e está ligado a um partido político de mesma orientação ideológica, os Zapatistas não buscam a tomada do poder, e sim a difusão da democracia e autonomia dos povos de Chiapas.
Militantes do EPR desaparecidos, principal suspeito: a repressão do Estado mexicano.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

movimento do professorado


No primeiro semestre de 2007 o governo do PSDB teve as manhas de esvaziar todo um movimento de professores, com a ajuda de alguns canalhas sindicais que fecham com o neoliberalismo de Brasília e manipulam muito bem os sindicatos.
Empurraram uma previdência neoliberal, um salário abaixo do índice do Dieese, aumento de salário por produtividade (ridículo !) e uma grande massa de professores que aceitam qualquer coisa que lhes é imposta de uma forma cega e estúpida, como na época da colonia, como nos regimes militares de nossa história, como nas repúblicas velhas, nas novas...é sempre a mesma história, patrões e buracartas mandam, e o resto, obedece...precisamos (des)educar muita gente de mentalidade colonial, escravista e de servidão!
foto-17 de Abril de 2007
para a Assembléia Legislativa
do estado de São Paulo

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Fuck in Police ! (NWA)


No Show dos Racionais MCs na virada cultural na praça da Sé a grande mídia e a prefeitura racista do Kassab culparam o grupo pela caos que ocorreu, mas vendo esse vídeo nós vemos a postura de mano Brown no palco durante os fatos, pedindo calma ao publico e dizendo que o momento certo para aquilo eram nas manifestações e protestos (e que não faltam motivos para faze-los)...muito bom ver o rapper falando para a polícia parar de apontar as armas para o publico desarmado...


confira
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Nesse link abaixo vc confere tbm em vídeo o caos causado pela PM, pessoas correndo, desespero... os pobres não podem ocupar um espaço no centro da cidade segundo a mentalidade da burguesia...nem para arte, são mais de 400 anos anos de perseguição da PM/Bandeirantes contra o povo da periferia, os excluídos e marginais... quando estes se encontram em uma maioria não tarda para os recentimento virem a tona.
"Fuck in Police !" (NWA)

Rage Against the Machine


Uma das ultimas grandes bandas voltou para salvar o rock de seu estado súbito, apenas músicas de protesto, não dando trégua ao sistema ...artistas e ativistas.Ativistas políticos, ativistas culturais. Mas do que nunca, esse é o momento de voltar.

Soldados do PSDB prontos para jogo o povo no chão




Unesp, FCL Araraquara, Ocupação da direção pelos estudantes.


Junho de 2007


Como é que pode ? ! um estado dito democrático, uma direção que não reconhece os direitos dos estudantes, direito inclusive de se manifestarem contra o abandono da universidade e propostas absurdas de quebrar a autonomia das universidade.

domingo, 8 de julho de 2007

é Ação Direta


Burn, Baby, Burn ! Isso não é arte !

Já tava na hora de tirar essa merda de RCTV do ar


MANIFIESTO DE APOYO AL FIN DE LA CONCESIÓN A “RADIO CARACAS TELEVISIÓN” (RCTV), DE VENEZUELA

Dado el domingo 27 de mayo, a las 10 h, frente a la Embajada de la República Bolivariana de Venezuela en BrasiliaConvocamos aquí a todos los compañeros y compañeras que son solidarios a Venezuela y al pueblo venezolano, todos y todas que luchan por la democratización de los vehículos de comunicación de masas, para que participen de esta manifestación de apoyo a la no renovación de la concesión a Radio Caracas Televisión (RCTV), empresa de propiedad de empresarios estadounidenses. Esa empresa privada, además de vehicular todas las chocarrerías y bajezas típicas de una TV comercial, irrespetando la cultura popular y agrediendo la inteligencia del pueblo venezolano, hace propaganda abierta contra el proceso revolucionario, habiendo sido protagonista del golpe fascista de 11 de abril de 2002, prontamente derrotado por la movilización del pueblo venezolano.La concesión de la señal televisiva a RCTV vence este domingo (27 de mayo a las 23:59 h), siendo prerrogativa del Estado venezolano renovar o no la concesión. El Gobierno encabezado por Hugo Chávez Frías, en consonancia con las aspiraciones populares, decidió NO RENOVAR La CONCESIÓN y, mejor aún, crear la red publica de TV llamada TELEVISIÓN VENEZOLANA SOCIAL (TEVES), utilizando la misma frecuencia que servía a RCTV. Ésta, por su vez, perderá solamente la señal abierta, permaneciendo con permiso para trasmitir a través de sus otros medios: radio, banda de internet, tV a cable, etc.La minoría opositora a ese acto legítimo y legal del gobierno venezolano ha urdido innumeras patrañas acerca de la medida. Y esa misma minoría hace alarde proporcional a su poder financiero. Acciona la Sociedad Interamericana de Prensa, entidad que reúne las grandes empresas periodísticas del Continente (CNN, Globo etc.) para dar apoyo y divulgar, en los otros países, patrañas sobre la situación en Venezuela y calumniar al Gobierno venezolanoPor eso, llamamos a todos y todas a brindar nuestra solidaridad a esa medida democrática y popular del gobierno socialista y revolucionario de Venezuela.TV PÚBLICA:Gestión Democrática y Control SocialInformación sin ManipulaciónCultura Popular y Entretenimiento SanoDifusión del Conocimiento y de la Cultura UniversalAPOYAMOS EL FIN DE LA CONCESIÓN A RCTV Y A lA CREACIÓN DE LARED “TELEVISIÓN VENEZOLANA SOCIAL”!!

Central de Movimientos Populares y Círculo Bolivariano de Brasilia
Movimiento de los Trabajadores Rurales Sin Tierra (MST)
Movimiento de Pastores Negros de Brasil,
Partido de los Trabajadores (PT)
Círculo Bolivariano “Leonel Brizola”
Movimiento de Mujeres Campesinas
Partido Socialismo y Libertad (PSOL)
Televisora Ciudad Libre de la Red de Televisoras Comunitarias de Brasil"

sábado, 7 de julho de 2007


O que acontece no Rio de Janeiro e a mídia não nos revela? não nos detalha ? pq será ?
Pq o governo do estado, o federal e a elite burguesa são cumplices destas chacinas oficiais !

a Radio Guerrilha está no ar


Começa aqui a transmissão de um novo canal, pronto para incomodar os comodados , começa aqui a construção de uma nova sociedade, pronta para perseguir a burguesia pela nova fronteira arquitetada, o ciberespaço.
O Capital se desterritorializou e se tornou nômade, fechando fábricas e abrindo outras em qualquer lugar do planeta, fugindo dos trabalhadores organizados, dos direitos trabalhistas...o Capital hoje movimenta transações financeiras 24 horas por dia, da Bolsa de Tókio para a de Londres e continuamente para a Bolsa de Nova York, eles inventaram a mercadoria virtual (securits) e o supermercado virtual (nasdaq)...e nós, os incorfomados, também nos desterritorializaremos, como Marx nos pediu: "trabalhadores de todo mundo, uni-vos!". E a inserção de toda subversão nesse meta-universo visa perseguir os exploradores com a mesma rapidez e eficácia que eles se desfragmentam para fugirem do combate e se manterem no poder. No século XIX uma grande greve já era o suficiente para interromper o fluxo de Capital, hoje é necessário bem mais que isso...é necessário interromper a produção e ocupar todos os "espaços das mercadorias": as rodovias, as ferrovias, as hidrovias, pontes-aéreas (parabéns aos controladores de vôo, viva o motim !), as ruas dos centros financeiros, a telefonia e a grande rede chamada Internet !
"Guerrilla Radio Turn that shit up Lights out Guerrilla Radio Turn that shit up Lights out Guerrilla Radio Turn that shit up Lights out Guerrilla Radio "
Mais uma rádio guerrilha está no ar, com muito erro de português
mas prezando a sabedoria já que não sou nenhum sofista, não manipulo pela retórica nem pelo discurso bonito, muito menos por uma linguagem refinada, apoiamos a sabedoria socrática...buscamos a razão e o destino em nossas mãos....a sabedoria do "faça a coisa certa !"
Viva Zapata
Viva Sandino
Viva Zumbi
Antonio Conselheiro
Todos os Panteras Negras
Lampião sua imagem e semelhança
Viva o Punk e o Hip Hop
Viva a democracia direta
Viva Bakunin e Kropotkin
Viva Ernesto Che Guevara
Viva a América latina
Viva a EZLN
Viva Steven Biko
Viva Carlos Lamarca,
Viva Rage Against the Machine, Sepultura, Racionais Mcs e o Facção Central
Viva os irmãos Wachowski
Viva a Ação Direta
Viva a África
Viva Karl Marx e Proudhon
Viva o cyberespaço e William Gibson
Viva Subcomandante Marcos
Viva Leon Trotsky e Lênin
Viva São Paulo
Viva Aldous Huxley
Viva a luta dos encarcerados
Viva o Rio de Janeiro
Viva Chico Science